Por leonardo.rocha

São Paulo - Um júri popular formado por sete pessoas condenou na tarde desta quarta-feira, no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, 15 policiais militares do Grupo de Operações Especiais (GOE) a penas de 48 anos cada um pela morte de quatro detentos e tentativa de assassinato de outros dois. O episódio, que terminou com 111 pessoas assassinadas no dia 2 de outubro de 1992, entrou para a história como Massacre do Carandiru.

Os policiais foram considerados culpados por homicídio qualificado, já que não houve chance de defesa das vítimas. Os condenados, no entanto, podem pedir recurso da decisão em liberdade. As mortes ocorreram no terceiro andar do Pavilhão 9 do complexo.

Tribunal onde houve parte do julgamento dos PMs que responderam pelo massacre no CarandiruDivulgação


O julgamento começou na última segunda-feira. O advogado Celso Vendramini foi o responsável por fazer a defesa dos policiais.

Os jurados demoraram quase três horas para responder a 630 quesitos que decidiram a sentença. Eles tiveram que responder a várias perguntas referentes a cada uma das vítimas do massacre, multiplicado pelo número de réus.

A principio, os réus estavam sendo julgados pela morte de oito detentos, mas durante o julgamento, os promotores Márcio Friggi de Carvalho e Eduardo Olavo Canto Neto decidiram retirar quatro dos homicídios, alegando que eles foram provocados por armas brancas. Eles também pediram a retirada da imputação aos policiais das duas tentativas de homicídio.

Com isso, o número de policiais que foram condenados pelo massacre do Carandiru neste processo chega a 73. Eles foram responsabilizados pela morte de 77 detentos. Das 111 mortes no massacre, nove foram provocadas por armas brancas e permanecem sem responsabilização. Mais cinco detentos teriam sido mortos pelo coronel Luiz Nakaharada, que responderia a um processo pelo massacre sozinho por ter sido reconhecido por sobreviventes. No entanto, Nakaharada morreu em dezembro do ano passado. Com isso, 29 mortes ocorridas no massacre, incluindo as por arma branca, ficaram sem autoria conhecida ou sem responsabilização.

Antes da decisão, o promotor Márcio Friggi e o advogado de defesa Celso Vendramini falaram aos jurados por aproximadamente duas horas cada um.

Na última etapa do julgamento, aconteceram os debates entre a promotoria e a defesa dos réus. O promotor Eduardo Olavo Canto Neto por duas horas e meia, defendeu a condenação dos 15 policiais. Já a defesa afirmou que seria impossível culpar os policiais pelas mortes porque o Estado se omitiu ao não propiciar as condições para os confrontos balísticos, que permitiriam saber quem atirou em quem.

Júris

Em abril do ano passado, um júri popular formado por sete pessoas condenou 23 policiais militares a 156 anos de prisão cada um pela morte de 13 detentos no massacre do Carandiru.

Na segunda etapa do julgamento que aconteceu em agosto, o júri condenou 25 policiais militares a 624 anos de prisão cada um pela morte de 52 detentos.

O julgamento do terceiro grupo de policiais militares foi cancelado em fevereiro depois que o advogado de defesa dos réus, Celso Vendramini, abandonou o plenário do Fórum da Barra Funda. Vendramini reclamou de não estar recebendo do juiz tratamento idêntico ao que era dado aos dois promotores, Márcio Friggi de Carvalho e Eduardo Olavo Canto Neto.

Na quarta etapa que aconteceu em março, o júri condenou 10 policiais militares a penas de até 104 anos de prisão pela morte de oito detentos.

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