Por tamara.coimbra

São Paulo - A terceira fase do júri do Massacre do Carandiru foi retomado na manhã desta quarta-feira, terceiro dia de julgamento, com a fase de réplica e tréplica dos representantes do Ministério Público e dos advogados de defesa. Cada parte terá duas horas para tentar convencer os jurados

Depois o Conselho de Sentença se reúne para decidir pela culpa ou absolvição dos 15 policiais do Comando de Operações Especiais (COE) como responsáveis pela morte de detentos que ocupavam o terceiro andar do Pavilhão 9 da antiga Casa de Detenção do Carandiru.

Segundo dia

Nessa terça-feira foi inicada a fase de dabates entre acusação e defesa. O primeiro a falar foi o promotor Canto Neto que, por duas horas e meia, defendeu a condenação dos 15 policiais.

“De todas as tropas [que estiveram no dia do massacre no Carandiru], a tropa do COE era a única a portar facas. Eles [policiais] podem ter matado os presos com as facas, mas os presos também podem ter feito isso. Por isso, absolvam os policiais pela morte dos presos por armas brancas”, disse o promotor.

Julgamento do massacre do Carandiru%2C no Fórum criminal da Barra Funda em São PauloFutura Press

O promotor disse que, apesar de ter sido necessária a presença policial no Carandiru para conter a rebelião no Pavilhão 9, houve excessos que precisam ser punidos. “Os policiais que cometem excessos precisam ser afastados da corporação. Eles se excederam de maneira criminosa”, falou. “A polícia tinha que conter a rebelião. Era o papel dela. Mas o que se condena é o excesso criminoso. A entrada era necessária para se conter a rebelião, não para se executar os presos”, ressaltou.

A defesa dos policiais defendeu seus clientes afirmando que seria impossível culpa-los pelos crimes porque o Estado se omitiu ao não propiciar as condições para os confrontos balísticos, que permitiriam saber quem atirou em quem.

As vítimas ocupavam o quarto pavimento (terceiro andar) do Pavilhão 9 da instituição, que foi desativada. Quatro dos detentos foram mortos por armas de fogo e os outros por armas brancas.

"Não foi feita a balística forense não por culpa dos réus, mas por culpa do Estado. É assim que se faz justiça em meu País?”, questionou o defensor Celso Vendramini.

De acordo com o advogado, os presos mortos foram identificados de acordo com o andar em que viviam, não pela comparação entre as balas e as armas apreendidas. "Como vou saber se esses quatro mortos estavam no terceiro andar?", questionou. Para ele, os PMs foram a julgamento apenas porque admitiram ter atuado no terceiro andar.

Primeiro dia

Vendramini concluiu tentando dissociar seus clientes da ditadura militar, que nessa terça completou 50 anos. “Os militares são vistos como os militares da época da ditadura. Vivi a época da ditadura militar. Não quero mais isso", afirmou.

Juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo (de preto) em frente ao processo de alguns dos policiais julgados pelo Massacre do CarandiruDivulgação

Em um tom mais ameno que no último julgamento, quando chegou a dizer que “é melhor um bandido morto que um policial ferido”, o defensor dirigiu seu foco à imprensa. “Se eles [policiais] saírem absolvidos, não haverá manchete de jornal amanhã [esta quarta-feira]. Se eles forem condenados, estará em todos os jornais”, disse ele.

Após sua fala, que durou duas horas e 20 minutos, o juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo encerrou os trabalhos.

O julgamento do Massacre do Carandiru apura as responsabilidades pela morte de 111 detentos no Pavilhão 9 da Casa de Detenção. Nesta etapa, estão sendo julgados 15 policiais do COE pela morte de oito presos e duas tentativas de homicídio. As vítimas ocupavam o quarto pavimento (terceiro andar) da instituição, que foi desativada. Quatro dos detentos foram mortos por armas de fogo e os demais, por armas brancas.

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