Por bferreira

Rio Grande do Sul - As investigações policiais sobre a bárbara morte do menino Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, que chocou o país, envolvem brigas por herança — joias e um imóvel deixados pela mãe do garoto, morta há quatro anos. Após a morte de Odilaine Uglione Boldrini, registrada como suicídio, uma briga judicial pelo espólio foi instaurada entre a avó materna, Jussara Uglione, 73, e o pai, o cirurgião Leandro Boldrini. Ontem, sob forte comoção e revolta, o corpo de Bernardo foi enterrado, no cemitério ecumênico em Santa Maria (RS). Parentes e amigos pediram justiça.

O pai do garoto, Leandro Boldrini, a madrasta, a enfermeira Graciele Ugulini, e uma amiga dela, a assistente social Edelvânia Wirganovicz, são suspeitos e foram presos preventivamente pelo crime. O corpo de Bernardo foi localizado pela polícia no dia 4, em estado de decomposição, em Frederico Westphalen, cerca de 80 km de Três Passos, outra cidade gaúcha onde o garoto morava.

A polícia acredita que a madrasta assassinou Bernardo com uma dose letal de analgésico e se livrou do corpo enterrando-o às margens de um rio, com ajuda da assistente social.

Órfão de mãe, Bernardo se dizia carente de atenção. Ele chegou a procurar a Justiça para relatar o caso. Apesar disso, no início do ano, o juiz Fernando Vieira dos Santos, da Vara da Infância e Juventude de Três Passos, autorizou que o garoto continuasse morando com o pai, após o Ministério Público (MP) instaurar uma investigação contra o homem por negligência afetiva e abandono familiar.

De acordo com o MP, desde novembro do ano passado, o pai de Bernardo era investigado. Entretanto, jamais houve indícios de agressões físicas. Em janeiro, o garoto foi ouvido pelo órgão e chegou a pedir para morar com outra família.

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