Presidente pede e Conselho de Ética deve adiar processo contra Argôlo

Deputado baiano é alvo de representação que pede a investigação das relações do parlamentar com Alberto Youssef

Por tamara.coimbra

Brasília - O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara adiará a instauração do processo contra o deputado Luiz Argôlo (SDD-BA). O parlamentar é alvo de representação do PSOL, que pede a apuração da suposta quebra de decoro do deputado baiano pelo envolvimento dele com o doleiro Alberto Youssef.

A representação usa como base reportagens que apontam troca de mensagens entre Argôlo e Youssef para supostamente acertar detalhes da transferência de R$120 mil que teriam como destino a conta de Vanilton Bezerra, chefe de gabinete de Argôlo. O adiamento acontecerá a pedido do presidente da Câmara dos Deputado, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).

No final da manhã desta quarta-feira, Alves esteve reunido com o presidente do Conselho de Ética da Casa, Ricardo Izar (PSD-SP). Durante o encontro, o presidente da Câmara pediu com bastante ênfase que Izar adie a instauração do processo para que a Mesa Diretora possa formular uma representação. Alves argumentou que uma representação da Mesa dará mais peso ao caso. Izar pretendia instaurar o processo na sessão marcada para a tarde desta quarta-feira e já fazer o sorteio do relator do caso.

A Mesa Diretora fará reunião às 17h para tratar da pauta do plenário e também do caso Argôlo. Na sessão desta quarta do Conselho de Ética, Izar tratará apenas do caso André Vargas e anunciará que a apreciação relacionada à representação contra Argôlo ficará para a próxima semana.

O cálculo é que a a Mesa envie sua representação e que ela já possa ser lida na próxima terça-feira, data que Izar pretende usar para a próxima sessão do conselho. Membros do Conselho de Ética demonstraram reservadamente reservas quanto ao pedido de Alves. Consideram que a protelação serve apenas para beneficiar Argôlo e atrasar uma possível investigação.

O ex-petista André Vargas (PR), é alvo de investigação no Conselho de Ética exatamente por causa de seu envolvimento com Alberto Youssef. Vargas chegou a admitir que viajou no jatinho do doleiro.

A investigação pretende apurar se houve quebra de decoro de Vargas, que é suspeito de intermediar os interesses de Youssef no Ministério da Saúde por meio de convênios da Pasta com a Labogen, laboratório ligado ao doleiro. Youssef foi preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Lava Jato.

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