PMDB e PDT estão com Dilma

Vitória da coligação por 59% dos votos válidos confirma a divisão dos peemedebistas

Por thiago.antunes

Brasília - Sem os votos da maioria do Rio, o PMDB aprovou ontem a aliança com o PT para reeleger Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer. Foram 398 votos pela coligação (59%) e 275 (41%) contra. Houve 64 votos brancos ou nulos ou abstenções.

Também ontem, o PDT aprovou em convenção o apoio à candidatura da presidenta. Com PMDB e PDT, Dilma ganha cerca de três minutos, em cada bloco de 25 minutos, na propaganda eleitoral de TV. As dissidências no PMDB foram justificadas pela falta de apoio PT a peemedebistas nos estados. O PMDB do Rio foi o mais crítico. No estado, o PMDB, que tenta reeleger o governador Luiz Fernando Pezão, terá o PT como adversário. “O Pezão fez um apelo para que votássemos a favor do Temer.

Eu votaria com a maioria. Agora está claro que de nada vai adiantar o resultado porque quem manda no PMDB do Rio é o Picciani (Jorge), e ele vai fazer campanha para o Aécio”, disse Nelson Bornier, prefeito de Nova Iguaçu. Nos discursos na convenção, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, que apoiou a coligação, foi enfático ao afirmar que o PMDB devolverá “na mesma moeda” eventuais acusações que sofrer do PT de Lindbergh Farias.

Ao lado do vice Michel Temer e de líderes peemedebistas%2C Dilma Rousseff comemora a manutenção da aliança com o PMDB para a reeleiçãoABr

“O PT, no nível regional, não tem essa compreensão, não são patriotas e não percebem a importância da reedição dessa aliança. Se qualquer acusação for feita ao governo Cabral e Pezão, será devolvida na mesma moeda”, disse. Pezão atribuiu aos petistas a culpa pelo movimento “Aezão” para apoiá-lo e ao tucano Aécio Neves. “Desde o momento em que o PT rompeu com a gente, permitiu esses movimentos”.

O ex-governador Sérgio Cabral observou que não serão “percalços regionais” que vão atrapalhar uma jornada que, segundo ele, “tem feito tão bem ao nosso país”. O resultado da convenção do PMDB representa constrangimento para o Palácio do Planalto. Em 2010, o apoio a Dilma foi de 85% dos convencionais. Ontem, ficou em 59%, com a dissidências no Rio Grande do Sul, Pernambuco, Goiás, Tocantins, Bahia e Rio.

Na abertura da convenção, Michel Temer tentou minimizar a dissidência e argumentou que a manutenção da aliança visa a “abrir as portas” para que, no futuro, o PMDB ocupe todos os espaços políticos, para o bem dos brasileiros". Assim que Temer foi confirmado vice na chapa, a presidenta Dilma foi à convenção. “Somos o avanço. O atraso são eles. Eu preciso do PMDB junto para fazer a melhor campanha e para governar com mais intensidade”, disse ela no discurso.

“Uma vitória de Pirro”

Derrotado ontem na convenção nacional do PMDB, o presidente regional do partido no Rio de Janeiro, ex-deputado Jorge Picciani, afirmou que a aprovação da aliança pela reeleição de Dilma Rousseff é uma “vitória de Pirro”. Há uma semana, Picciani reuniu 1.600 políticos, a maioria do PMDB fluminense, para apoiar a candidatura do tucano Aécio Neves e a reeleição do governador Luiz Fernando Pezão.

Em entrevista ao DIA, Picciani disse que o partido saiu da convenção de ontem dividido e que vai pedir voto para o “Aezão”. “Foi uma vitória de Pirro. Mostra que o partido está dividido e que metade do PMDB é contra essa aliança. Usaram a máquina federal e a do partido desavergonhadamente. Os que eram do lado deles ou puderam ser comprados, eles trouxeram a fórceps aqui”, disse Jorge Picciani. Segundo o ex-deputado, uma parte do PMDB “é agarrada a cargos e, por isso, acompanhou a posição oficial do partido”.

Reportagem de Eugênia Lopes

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