De Olho na Política: O Rio de Janeiro é peça estratégica

Justifica-se a decisão de Dilma de participar da final da Copa, no Maracanã. Vale a coragem de enfrentar o risco de vaias

Por bferreira

Rio - O tucano Aécio Neves, proprietário de um apartamento na Lagoa, decidiu instalar seu QG eleitoral no Rio, onde gravará os programas de TV. Na versão oficial, revelada no fim de semana, a escolha teve motivos familiares. Assim, ele permanecerá ao lado da mulher e dos filhos gêmeos recém-nascidos. Não deixa de ser uma explicação convincente. Mas Dilma Rousseff, apesar de manter a sede da campanha em Brasília, também tem dedicado atenção especial ao Rio. Suas vindas ao estado são cada vez mais frequentes. Ela tornou-se presença certa em eventos na capital e no interior. Quando não é o Minha Casa, Minha Vida, são obras de infraestrutura do PAC, como o Arco Metropolitano. Pode parecer exagero, mas a presidenta encontrou espaço na agenda até para inaugurar um hospital em Saquarema, pequena cidade na Região dos Lagos.

O interesse dos dois principais candidatos pelo Rio de Janeiro tem razão de ser. Terceiro maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais, o estado começa a se apresentar como uma peça estratégica na disputa pelo Palácio do Planalto. No primeiro turno, o resultado nas urnas fluminenses é essencial para as pretensões de Aécio Neves. Ele tem boas chances de voto em Minas Gerais, onde foi governador, e também em São Paulo, berço e reduto histórico do PSDB. Mas só chegará ao segundo turno se também conseguir votação expressiva por aqui. O que não deixa de ser um desafio, já que os tucanos nunca alçaram voo no Rio. Pode ser que Aécio, um mineiro de alma carioca, tenha melhor sorte.

Dilma Rousseff, porém, não pretende deixar o território livre para as pretensões do tucano. Longe disso. Com dificuldades crescentes em São Paulo e sem a garantia de vitória em Minas, a presidenta não pode se fiar apenas no eleitorado do Norte e do Nordeste. A folgada vantagem nessas duas regiões garante a liderança no primeiro turno, mas o Rio será decisivo para um bom desempenho no Sudeste, na hipótese de segundo turno anunciada pelas pesquisas de opinião. Daí, a presença constante e o esforço para conquistar a simpatia dos eleitores que, em eleições passadas, serviram de referência para todo o país.

Não faltam palanques para a presidenta, a começar pelo governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB, candidato à reeleição. Apesar da dissidência liderada pelo presidente estadual do partido, Jorge Picciani, que apoia Aécio, Pezão tem dado seguidas demonstrações de fidelidade a Dilma, um quadro que não deve se alterar. Está atrás nas pesquisas, mas tudo indica que vai crescer com a propaganda eleitoral. Resta convencer o presidente do PDT, Carlos Lupi, a abandonar a ambição pessoal de concorrer ao Senado, abrindo passagem para o ex-prefeito Cesar Maia, do DEM. Também pertencem à base aliada os demais candidatos a governador: Lindberg, do PT, Garotinho, do PR, e Crivella, do PRB. Todos eles estão comprometidos com o apoio à presidenta, até mesmo Garotinho, conhecido pela rebeldia e pelo voo próprio.

Garantir o apoio de partidos e candidatos tão incompatíveis é uma costura complexa. Mas Dilma, até o momento, tem enfrentado o desafio com êxito. Ela sabe que o Rio é peça-chave no tabuleiro da eleição. Isso justifica a decisão de participar da cerimônia de encerramento da Copa do Mundo, no Maracanã. Vale a coragem de enfrentar o risco de vaias.

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