Despedida de Campos teve fogos e ares de ato político

Cerca de 160 mil pessoas acompanharam a cerimônia. Marina Silva apoiou viúva e filhos

Por karilayn.areias

Rio - Com uma queima de fogos que durou cerca de 20 minutos e debaixo de palavras de ordem “Eduardo, guerreiro do povo brasileiro”, os restos mortais do ex-governador e presidenciável Eduardo Campos foram enterrados ontem no Cemitério de Santo Amaro, em Recife, quatro dias após o trágico desastre aéreo em que morreram mais seis pessoas em Santos (SP). A despedida, que contou com uma multidão estimada em 160 mil pessoas, ganhou ares de ato político, com direito a distribuição de bandeiras, jingles executados em carros de som, banners afixados a postes, vaias e gritos de “Fora, Dilma!”, “Fora, PT!” e “Marina presidente!”.

O público tomou conta das ruas do centro de Recife e foi maior do que o que compareceu ao enterro de Miguel Arraes%2C há nove aErnesto Carriço / Agência O Dia


Ao longo dos cerca de dois quilômetros de cortejo entre a sede do governo e o cemitério, a multidão tomou as ruas. Nas janelas dos prédios, panos pretos e bandeiras do PSB e das campanhas nacional e estadual do partido. Carros de som tocavam o jingle de Campos na campanha de reeleição em 2010 e o da presidencial deste ano. A viúva Renata e os cinco filhos, que acompanharam o caixão desde a chegada na Base Aérea do Recife, na madrugada de domingo, estavam ao lado da sepultura na hora do adeus. Antônio Campos, irmão, Magdalena Arraes, avó, e Ana Arraes, mãe, também estavam presentes.

Marina Silva, que com a morte do ex-governador assume a disputa presidencial pelo PSB, ficou ao lado da viúva Renata e dos cinco filhos do casal durante quase todo o tempo entre o início da noite de sábado e o sepultamento ontem. Desde sábado, 63 aviões pousaram em Recife trazendo pessoas que foram acompanhar o velório e o enterro.

Ainda durante o velório e antes do enterro, o presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, deu ontem o primeiro passo para a escolha de Marina na cabeça de chapa da coligação Muda Brasil. Em nota oficial, Amaral informou que foi aberto “processo de consultas visando à construção de alternativa política consensual a ser adotada pela Executiva” do partido. Sob o título de “comunicado à nação”, a nota termina com a frase dita por Eduardo Campos, estampada em todas as camisetas utilizadas nos últimos dias por seus aliados: “Não vamos desistir do Brasil.”

O comunicado foi distribuído às vésperas da reunião agendada para quarta-feira, quando será oficializada a candidatura de Marina e será escolhido o novo vice da coligação. O mais cotado é o deputado Beto Albuquerque (RS).

Emocionados%2C Renata e os filhos prestam as últimas homenagens a Eduardo Campos%2C enterrado ontemEfe

Renata Campos articula sucessão em Pernambuco

Figura central no funeral de Eduardo Campos, a viúva Renata Campos chamou a atenção de todos pela força na despedida ao marido, morto tragicamente. Mãe de cinco filhos, entre eles um bebê de seis meses, a quem volta e meia pegava no colo, ela deu a mesma atenção, fosse à presidenta Dilma Rousseff ou a qualquer um dos milhares de populares que foram dar adeus ao ex-governador de Pernambuco.

Cotadíssima para substituir o marido na corrida presidencial, como candidata a vice-presidente na chapa encabeçada agora por Marina Silva, Renata vai dar hoje o início das tratativas. Para os amigos mais próximos, a tendência é que ela recuse o convite para cuidar dos filhos. O desafio de manter o legado do marido e o comando do PSB, no entanto, pode fazer com que ela mergulhe de cabeça na campanha ao lado de Marina.

Renata convocou para hoje pela manhã uma reunião com o diretório estadual do PSB para reforçar o apoio à candidatura de Paulo Câmara ao governo de Pernambuco. Mal nas pesquisas, Câmara tinha toda a confiança de Eduardo Campos. Renata quer, em nome do ex-marido, pedir aos 21 partidos de sua coligação mais dedicação à campanha de candidato socialista. A sucessão presidencial não será tratada na reunião.

Propaganda vai lembrar candidato

A propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão começa amanhã e os primeiros programas da coligação Muda Brasil, pela qual Eduardo Campos se lançou, serão dedicadas a fazer grandes homenagens ao ex-governador.

Serão pouco mais de quatro minutos em que expoentes do partido vão exaltar a trajetória de Campos. As inserções iniciais também vão lembrar o ex-governador. Com a oficialização do nome de Marina Silva na cabeça de chapa, prevista para quarta-feira, o programa eleitoral do dia seguinte deverá ser dedicado à nova candidata.

Na quinta, Marina deverá falar durante todo o tempo. E, depois, no sábado, com o candidato a vice provavelmente definido, começam as discussões políticas”, contou Fernando Bezerra, ex-ministro da Integração Regional e candidato ao Senado pelo PSB.

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