Por thiago.antunes

Rio - Nos últimos anos, as pesquisas de opinião sobre a preferência dos eleitores brasileiros por partidos políticos sempre mostraram o PT numa confortável liderança, bem à frente das demais legendas. Se o quadro não mudou, o PT continua a ser a opção de 28% dos entrevistados, enquanto PMDB e PSDB mal passam de 5%. No Rio de Janeiro, na década de 80, o PDT de Leonel Brizola chegou a disputar a hegemonia com petistas. Mas, depois que o carismático gaúcho morreu, o PDT foi murchando.

Domingo passado, elegeu no Rio apenas um deputado federal e dois estaduais. Em São Paulo, que é seu berço, o PT é muito forte desde a fundação, porém jamais fez um governador. Mesmo sem peso no sindicalismo, o PSDB é um adversário incômodo. Mas, no geral, quem tem militância apaixonada é o PT. O que explica, em parte, sua permanência no Planalto há 12 anos.

Na origem, o partido fez por merecer a primazia. Nasceu das lutas dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, sob o comando de Luiz Inácio Lula da Silva. E ganhou rapidamente a adesão de intelectuais de esquerda e de ativistas políticos que pegaram em armas contra a ditadura militar. Com bandeiras ousadas, ocupou espaços e conquistou os votos da juventude mais aguerrida.

O que está em julgamento não é o governo Dilma. No dia 26 de outubro%2C o país decidirá se o prazo de validade do PT venceu ou nãoReprodução

Numa espécie de seleção natural, foi o responsável pela decadência do Partido Comunista Brasileiro e também pelo enfraquecimento de Brizola, após a derrota para Lula nas eleições de 1989. Diante do esvaziamento de nomes mais tradicionais da esquerda, houve quem dissesse que a criação do PT foi incentivada pelo general Golbery do Couto e Silva, fiel escudeiro do ditador Geisel.

Não se cometa esta injustiça. O PT cresceu graças ao trabalho e à dedicação de quadros de qualidade. Em sua trajetória pré-mensalão, José Dirceu foi fundamental para a consolidação do partido. Da sede nacional do PT em São Paulo, emanava a orientação para todo o país, com forte inspiração no centralismo democrático do ex-dirigente estudantil. Sem o pragmatismo quase leninista da cúpula paulista, o partido dificilmente teria chegado tão longe.

A famosa “Carta aos Brasileiros”, que acalmou o mercado financeiro em 2002 e garantiu a primeira eleição de Lula, saiu da cabeça de Dirceu, apesar da reação contrária das alas mais radicais. Vale lembrar ainda que o atual presidente do PT, Rui Falcão, sempre esteve ao lado de José Dirceu e pertence ao núcleo majoritário que fez história.

Os tempos são outros. A fase romântica vai longe. O PT envelheceu e seus dirigentes também. A grande maioria passou dos 60 anos e está de cabelos brancos. Recentemente, Lula afirmou que deveria ser feito um esforço para reconquistar corações e mentes dos eleitores. Não é tarefa fácil.

Os jovens de hoje se identificam mais com o PSOL. No Rio, eles votaram em Marcelo Freixo e no professor Tarcisio. Os ventos de mudança sopram contra o PT. Por isso, o segundo turno da eleição para Presidente ganhou a forma de plebiscito. O que está em julgamento não é tanto o governo Dilma Rousseff (por sinal, ela foi brizolista). E também não importam os méritos do tucano Aécio Neves. Quem está sob o crivo dos eleitores é o PT. Os 12 anos de poder desgastaram a legenda de Lula, Dirceu e Falcão. No dia 26 de outubro, o Brasil decidirá se o prazo de validade do PT venceu ou não.

Você pode gostar