Por felipe.martins

Rio - Considerado peça-chave para revelar o esquema de corrupção e de propina na Petrobras, o ex-gerente-executivo da Diretoria de Serviços da estatal Pedro Barusco fechou acordo de delação premiada em que se compromete a devolver cerca de US$ 100 milhões, o equivalente a R$ 260 milhões. A expectativa é que o novo delator da Lava Jato denuncie o esquema que era controlado pelo ex-diretor da área Renato Duque, nome indicado pelo PT e que está preso desde sexta-feira.

O acordo evitou que Barusco fosse o 26º nome da lista de prisões decretadas pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato. O valor de restituição, a título de indenização, caso seja homologado pela Justiça, será o maior já obtido em um acordo com servidor da Petrobras. O ex-Diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa e sua família vão pagar cerca de R$ 70 milhões. Barusco terá que desembolsar R$ 260 milhões, pelo câmbio de ontem. Desse valor, US$ 20 milhões já haviam sido bloqueados na Suíça, onde ele mantinha uma conta.

Presidente da Petrobras%2C Graça Foster%2C afirmou que as investigações contratadas pela estatal para investigar as denúncias da Lava Jato vão custar cerca de R$ 19 milhões à estatalBruno de Lima / Agência O Dia

Barusco foi apontado como braço direito de Duque na cobrança de propina pelos executivos da Toyo Setal Julio Gerin de Almeida Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, que fecharam acordo de delação com o MPF no dia 22 de outubro. As delações dos executivos da Toyo foram decisivas para deflagração da nova etapa da Lava Jato e para abertura de novas frentes de apuração.

O delegado da Polícia Federal Agnaldo Mendonça Alves afirmou no último final de semana, durante a tomada de depoimento de três executivos de empreiteiras presos na Lava Jato, que delatores implicaram o atual diretor de Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, em supostos recebimentos de “comissões” ligadas a contratos da estatal. Cosenza participou, ao lado da presidente da companhia, Graça Foster, de uma entrevista concedida ontem para divulgação de dados operacionais da empresa.
Paulo Roberto Costa, antecessor de Cosenza, e Alberto Youssef, dois dos delatores que colaboram com a polícia, disseram que Cosenza recebeu pagamento. A informação consta, por exemplo, no depoimento tomado de Ildefonso Colares Filho, ex-presidente da empreiteira Queiroz Galvão, preso na sexta-feira.

O desembargador Newton Trisotto, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou ontem habeas corpus a cinco dos 23 presos na nova fase da Operação Lava Jato. Tiveram o direito à liberdade negado o presidente da OAS, José Aldemário Pinheiro Filho; o diretor-presidente da Área Internacional da empresa, Agenor Franklin Magalhães Medeiros; José Ricardo Nogueira Breghirolli, funcionário da empresa em São Paulo; Alexandre Portela Barbosa, advogado da empreiteira; e o diretor-financeiro da OAS Petróleo e Gás, Mateus Coutinho de Sá Oliveira.

As nove empreiteiras alvo da Lava Jato receberam R$ 11,4 bilhões do governo federal nos últimos 11 anos. O levantamento foi feito pelo portal Contas Abertas.

Empresas não devem ficar inidôneas

Para não parar as obras que estão sendo feitas pelas empreiteiras envolvidas no escândalo da Petrobras, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Augusto Nardes, defendeu ontem que essas empresas não sejam declaradas inidôneas. Segundo ele, o Tribunal vai articular com a Controladoria Geral da República (CGU) e com o Executivo uma solução que não resulte na paralisação das obras tocadas pelas empresas citadas na sétima fase da Operação Lava Jato.

“O impacto tem que ser avaliado. Na verdade tem muitas grandes empresas. Claro que se transformar todas em inidôneas, boa parte das obras pode não continuar. Nessa situação, acho que cabe ao Executivo propor uma discussão para que a gente possa encontrar o caminho para que as obras não parem. O ideal seria uma repactuação”, afirmou Nardes.

De acordo com o presidente do TCU, as repactuações poderão ser feitas se for retirado o sobrepreço dos contratos vigentes, com a devolução cofres públicos o valor cobrado a mais. Assim , diz Nardes, as obras poderão continuar. “Acho que podem ser feitas repactuações desses contratos retirando o sobrepreço para que possamos trabalhar em conjunto para que as obras continuem. Mas recuperar o que foi cobrado a mais. Acho que é possível, o TCU pode fazer isso e espero também que o governo trabalhe nesse sentido, através da CGU para que a gente possa dar continuidade a essas obras que são extremamente importantes ao país”, disse.


Temer diz que governo está ‘tranquilíssimo’

Horas antes de a presidenta Dilma Rousseff desembarcar ontem no Brasil, o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), afirmou ontem que o governo está “tranquilíssimo” com as recentes investigações da Operação Lava Jato e que as prisões de presidentes das empreiteiras não podem ser usadas para paralisar as obras contratadas junto ao governo federal.
“Tranquilíssimo. Não apenas tranquilo como incentivando as investigações”, afirmou Temer, ao fim do seminário pelo Pacto da Boa Governança, promovido pelo Tribunal de Contas da União (TCU), em Brasília. “Você sabe que tem a competência da Polícia Federal de um lado, o Ministério Público de outro, e o Congresso Nacional fazendo sua parte com a CPI, de modo que o governo está tranquilíssimo. Todas as palavras da presidenta e de todos os órgãos do governo são no sentido de incentivar as investigações”, disse.
Ele sinalizou que a presidenta Dilma pode mudar a diretoria da estatal, inclusive demitindo a presidente Graça Foster. “Certamente Dilma fará deliberações sobre isso no final do ano em relação a essa matéria”, afirmou.


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