Para cúpula do PSB, Amaral quer cargo no governo Dilma

Dirigentes criticam ex-presidente do partido

Por karilayn.areias

Brasília - As declarações do ex-presidente do PSB Roberto Amaral ao DIA deixaram indignados dois dos principais representantes da Executiva Nacional do partido. Os deputados Márcio França (SP) e Beto Albuquerque (RS) rebateram as afirmações de Amaral e não pouparam acusações de traição e ingratidão. Para eles, o ex-ministro do governo Lula quer chamar a atenção da presidenta Dilma Rousseff para conseguir um cargo em seu novo mandato.

Na entrevista publicada ontem no DIA, Roberto Amaral disse que Miguel Arraes não se identificaria hoje com o partido do qual foi fundador. Manteve ainda sua posição contra a candidatura de Eduardo Campos, morto em campanha, e chamou o PSB de oportunista, por “jogar à direita”.

Líder da bancada do PSB na Câmara e vice na chapa de Marina Silva para a Presidência, Beto Albuquerque afirmou que Roberto Amaral se mostrou “uma quinta coluna de primeira qualidade”. Segundo ele, o clima no partido é de unidade, e o ex-presidente não tem mais peso no PSB.

“Ele é um teórico ‘bon-vivant’. Nunca concorreu a nada. Sempre viveu às custas do partido. Dependesse dele, o PSB hoje caberia dentro de uma Kombi. Amaral deveria ter vergonha de falar do Eduardo e do Arraes”, condenou Albuquerque.

Já Márcio França, presidente do PSB de São Paulo e eleito vice-governador do estado, ao lado de Geraldo Alckmin (PSDB), rebateu as críticas de Amaral ao direcionamento político do partido: “Ele tem todo o direito de tentar arrumar um emprego no governo, mas não pode para isso denegrir a imagem do Eduardo, que era absolutamente de esquerda. Não acho que a Dilma seja esquerda de nada. Além disso, o governo não é comandado pela Dilma, é uma coalizão comandada por forças de direita”.

Questionado sobre o apoio do PSB a Aécio Neves (PSDB) no segundo turno, França foi irônico. “Talvez Aécio fosse mais progressista que o ministro da Fazenda que a Dilma escolheu”, alfinetou.

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