Por bferreira
Publicado 13/12/2014 00:52 | Atualizado 13/12/2014 00:54

Brasília - A denúncia de que a presidenta da Petrobras, Graça Foster, fora avisada em 2009, quando era diretora de Gás e Energia, e em 2012, já na presidência, de que havia irregularidades na empresa aumentou a pressão por sua demissão. Líderes da oposição ao governo da presidenta Dilma Rousseff voltaram a pedir a saída da executiva.

Graça Foster voltou a ser alvo da oposição, que a acusa de saber da corrupção na Petrobras e nada fazerReuters

Ontem, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) disse que a demissão de Graça Foster não pode ser adiada. Segundo ele, o grupo deveria ter sido afastado após as denúncias da operação Lava Jato. Agora, para o senador, o afastamento se impõe. “Isso mostra que houve cumplicidade com as irregularidades”, afirmou o tucano.

As denúncias foram feitas pela ex-gerente da Diretoria de Abastecimento Venina Velosa da Fonseca ao jornal ‘Valor Econômico’ e publicadas ontem. Segundo ela, em 2008 informou, pessoalmente e por e-mail. a Graça e ao então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, sobre pagamentos indevidos a produtoras de vídeos. O caso teria sido informado ao diretor de Abastecimento, Paulo Roberto.

E, em 2012, Venina teria relatado a Graça, que já era presidenta da Petrobras, suspeitas sobre irregulares nos gastos na construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, que elevaram o custo do empreendimento de R$ 4 bilhões para R$ 18 bilhões. O diretor de Abastecimento que substituiu Costa, José Carlos Cosenza, também foi avisado.

No primeiro caso, a denúncia resultou em apuração que confirmou o pagamento de R$ 58 milhões em contratos de comunicação para serviços não feitos e notas fiscais com números repetidos no valor de R$ 44 milhões. O gerente de Comunicação da área, Geovanne de Morais, foi demitido por justa causa em 2009. Mas entrou em licença por causa de problemas de saúde, e a exclusão se efetivou este ano.

A outra denúncia — que incluía sugestões para que fossem mudados os critérios para compra de equipamentos e contratação de serviços — não chegou nem sequer a ser apurada, segundo Venina. Ela diz ainda que passou a sofrer perseguição até ser afastada este ano.

Venina alega ainda que avisou a Graça e Cosenza sobre aumento de 15% nos custos para contratações de fornecedores de óleo combustível no exterior. Em depoimento na CPMI do Congresso, ele afirmou que nunca recebeu denúncia de irregularidades. Na semana que vem, Venina vai depor no Ministério Público Federal.

Empresa insinua que ex-gerente busca vingança

A direção da Petrobras divulgou nota em que “reitera que tomou todas as providências para elucidar” as denúncias da ex-gerente. O texto afirma que “não procede a afirmação de que não houve apuração por parte da Companhia em nenhum dos três casos citados”.

A Petrobras informa que instaurou comissões internas de apuração, inclusive sobre as contratações da Refinaria Abreu e Lima e lembra que ouviu Venina. “A empregada foi ouvida, momento em que teve a oportunidade, mas não revelou os fatos que está trazendo agora ao conhecimento da imprensa”, afirma o documento.

Além disso, diz que estranha que ex-gerente tenha guardado os documentos por cerca de cinco anos e só o traga a público agora, insinuando que ela faz isso, “possivelmente pelo fato de ter sido responsabilizada pela comissão”.

“A empregada foi citada no relatório desta Comissão com referência a responsabilidades por não conformidades consideradas relevantes. O resultado foi enviado às Autoridades Competentes (MPF, PF, CVM, CGU e CPMI) para as medidas pertinentes. A empregada foi destituída da função de diretora presidente da empresa Petrobras Singapore Private Limited em 19 de novembro de 2014, após o que ameaçou seus superiores de divulgar supostas irregularidades caso não fosse mantida na função gerencial”.

Juiz aceita denúncia contra nove

O juiz federal Sérgio Moro aceitou ontem a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná contra nove acusados de corrupção na Petrobras com base na Operação Lava Jato: Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa, Waldomiro de Oliveira, Carlos Alberto Pereira da Costa, Enivaldo Quadrado, Gerson de Mello Almada, Carlos Eduardo Strauch Albero, Newton Prado Júnior e Luiz Roberto Pereira. Com isso, eles passam à condição de réus.

Na quinta-feira, o MPF denunciara 36 por formação de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro. Deles, 22 são ligados às empreiteiras envolvidas no esquema.

No despacho em que acolheu a denúncia, o juiz diz que há indícios de que os acusados também cometeram os crimes de formação de cartel, frustração à licitação, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, evasão fraudulenta de divisas, uso de documento falso e sonegação de tributo federal.

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