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Eduardo Cunha dá a volta ao Brasil pela presidência da Câmara

Em campanha, deputado foi a 21 estados; até sexta irá a todos

Por thiago.antunes

Rio - Em campanha pela presidência da Câmara, o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) passou a ser dono de uma marca inédita para conquistar a principal cadeira da Casa: diferente dos atuais candidatos e dos postulantes de anos anteriores, ele terá visitado, sem exceção, todos os estados brasileiros até a próxima sexta-feira. Além disso, o parlamentar já bateu o número de estados visitados pela própria presidenta Dilma Rousseff (PT), que esteve em 17 durante toda a campanha — primeiro e segundo turnos — para a Presidência da República. Até esta segunda-feira, Cunha foi a 21.

Sua estratégia, aliás, repete a da presidenta: a de dar um pouco mais de atenção, na campanha aos estados com o maior número de eleitores. Na próxima semana, o parlamentar peemedebista voltará àqueles onde se concentram o maior número dos 513 deputados federais: São Paulo (70), Minas Gerais (53), Rio de Janeiro (46) e Rio Grande do Sul (31).

Eduardo Cunha já visitou mais estados do que Dilma Rousseff durante a última campanha presidencial Fabio Gonçalves / Agência O Dia

Desde que se colocou na disputa, no final do ano passado, Cunha tem feito todas as viagens em jatinho custeado pelo PMDB. A bordo da aeronave, o candidato viaja sempre acompanhado de outros seis deputados, que constituem o núcleo duro de sua campanha. A assessoria do deputado justificou a utilização do avião particular pelo fato de que, em algumas situações, ele passa por mais de um estado num único dia.

O conforto é apenas um dos diferenciais de Cunha em relação a seus adversários, os deputados Arlindo Chinaglia (PT) e Júlio Delgado (PSB), que têm visitado alguns estados em voos comerciais. A assessoria do peemedebista informou, também, que o custo, por enquanto, é assunto não tratado.

Outra demonstração de que não há economia para conquistar o eleitorado é a recepção preparada nos estados. Na última semana, no Rio de Janeiro, o deputado federal Leonardo Picciani (PMDB) ofereceu almoço em um dos hotéis mais badalados da cidade, em frente à praia de Copacabana. O self-service foi liberado para todos os convidados, incluindo jornalistas presentes. Massas, carnes, saladas e um buffet japonês faziam parte do cardápio. Enquanto isso, cabos eleitorais de Cunha tentavam colar adesivos até nos profissionais da imprensa.

Além dos parlamentares-eleitores, Cunha tem aproveitado as visitas para melhorar sua rede de relacionamentos com políticos locais, incluindo os de oposição. Nesta segunda-feira, por exemplo, o peemedebista encontrou o governador da Bahia, o petista Rui Costa, e o prefeito de Salvador, o aliado Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM). A maior parte dos encontros está sendo realizada em hotéis, como o que recebeu o encontro no Rio, porque são considerados “locais neutros”. O objetivo, segundo aliados, é atrair também eleitores da oposição.

Recursos não podem sair do fundo de participação

De acordo com a assessoria de imprensa do parlamentar, a recepção em “locais neutros” tem dado tão certo que até deputados petistas vão às reuniões, a despeito de terem Arlindo Chinaglia como o candidato da bancada. Não listou, porém, quantos e quais deles.

Aliada do PT na disputa, Jandira Feghali, do PCdoB do Rio, lamenta que, como nas eleições gerais, “o poder econômico” seja usado contra adversários. “A primeira coisa é saber de onde vem todo este dinheiro. Uma campanha onde se tem apenas 513 eleitores não pode ter uso tão grande do poder econômico”, criticou.

Para a professora da Fundação Getúlio Vargas Silvana Batini, especialista em direito eleitoral, “os partidos não podem usar a parte pública de seus recursos para financiar candidatos à presidência da Câmara”. “Na prestação de contas, as legendas terão de informar a origem do recurso”, afirma.

Mas, se ainda assim o aparato da campanha não garantir a possibilidade de vitória folgada a Cunha, entrará em campo um candidato auxiliar: Jair Bolsonaro (PP). O polêmico parlamentar já se ofereceu para desconstruir a candidatura do petista Chinaglia. 

Outro que pode estrear na corrida pela presidência da Câmara é o Psol, que se reúne na próxima semana para definir quem indicará. “No último encontro, Chico Alencar era o nome que despontava. Vamos ver se será confirmado”, disse Luiz Araújo, presidente da sigla, que tem cinco deputados na Casa.

Sem dinheiro, adversários usam telefone

Se os recursos abundam para o concorrente do PMDB, que viaja de cima para baixo de jato privado, o mesmo não se pode falar dos dois outros postulantes ao cargo. Os deputados Arlindo Chinaglia (PT) e Júlio Delgado (PSB) têm feito seus deslocamentos em voos comerciais e, ao contrário de Cunha, que pede voto ao velho estilo olho no olho, tentam conquistar seus eleitores na frieza do telefone.

Apesar disso, o mineiro Delgado já circulou por sete estados (PI, MA, PA, PE, RS, MG e ES) e, hoje, estará em Curitiba, pela manhã, e São Paulo, à tarde. Na quinta-feira, vai a Campo Grande (MS) e na segunda-feira, a Porto Alegre (RS). Ao seu lado, além do PSB, o parlamentar tem o PSDB, PPS e o PV.

Chinaglia, que passou a se dedicar à disputa apenas na última sexta-feira, começou suas andanças por Vitória (ES) e Rio. Ontem, esteve em São Paulo, onde encontrou o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Além de PT, seu partido, prometem apoio a ele o PCdoB, Pros e PDT.

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