IML informa que surfista levou tiro pelas costas

Ricardinho foi ferido ainda por uma bala que entrou por um lado do corpo e saiu pelo outro, perfurando órgãos e a veia cava. Corpo do atleta foi enterrado nesta quarta-feira

Por felipe.martins , felipe.martins

Santa Catarina - Laudo divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Médico Legal de Santa Catarina revelou que o surfista Ricardo dos Santos foi morto com um tiro pelas costas e outro que entrou por um lado do corpo e saiu pelo outro. A primeira versão era que ele fora atingido por três balas, por causa de três perfurações, mas, segundo os peritos, duas eram do mesmo projétil.

O gerente do IML, Marcos Aurélio Lima, explicou que a bala que atravessou o corpo entrou pelo lado esquerdo, entre o peito e a barriga e perfurou baço, pâncreas, fígado e intestino. Além disso, atravessou a veia cava, a de maior fluxo de sangue do corpo, causando a hemorragia que levou à morte. A bala que entrou pelas costas ficou alojada na coluna lombar.

Ricardinho foi enterrado em clima de muita emoção e de revolta. Amigos e parentes pediram justiçaFolhaPress

O corpo de Ricardinho foi enterrado no início da tarde no cemitério de Paulo Lopes, cidade da Grande Florianópolis vizinha a Palhoça, onde ele morava. Pessoas gritaram “justiça, justiça”, quando o caixão foi colocado na sepultura.

Durante toda a manhã, várias homenagens foram feitas a Ricardinho no velório. No salão da igreja de Guarda de Embaú, em Palhoça, foram colocadas fotos dele surfando e pranchas usadas em competições internacionais. Vários surfistas, como os campeões Jacqueline Silva, Mineirinho, Alejo Muniz e Renan Rocha e Luan Wood acompanharam o enterro.

À tarde, aproximadamente 300 surfistas se reuniram na praia de Guarda do Embaú, perto da casa de Ricardinho, para homenageá-lo. Eles fizeram uma manifestação levantando suas pranchas e depois entraram juntos no Rio da Madre.

Em sinal de luto, lojas de Guarda de Embaú não abriram as portas ontem. Em pousadas e restaurantes foram colocadas tarjas pretas e fotos de Ricardinho. No Havaí, na Praia de Pipeline, dezenas de surfistas, entre os quais Kelly Slater, o maior vencedor do WCT, fizeram um círculo no mar com suas pranchas em homenagem ao brasileiro. Emocionado, Slater classificou a morte do amigo como “uma perda sem sentido”.


Conclusão de peritos contesta PM

A divulgação do laudo do IML contesta a versão do policial militar que o matou, Luís Paulo Mota Brentano, de 25 anos, de que agiu em legítima defesa. Também derruba a alegação do advogado que defende o PM, Gilson Schelbauer, de que os tiros foram só para assustar o surfista.

Ricardo dos Santos discutiu com o PM na manhã de segunda-feira porque o policial, que estacionara seu carro em frente à casa do surfista se recusou a tirar o veículo para que fosse feito um reparo num cano de água. O conserto seria feito pelo avô de Ricardinho, Nicolau dos Santos.

No Facebook%2C Rafael Medina prestou mais uma homenagem a Ricardinho postando a união de surfistas no HavaíReprodução Internet

Na quarta-feira, ele contou que ao ver que o carro do policial estava parado em cima do cano, ele pediu que ele o tirasse do local. Mas o policial se recusou, e Ricardinho interveio. O surfista e o PM, que passava férias e estava com um irmão mais novo, discutiram. Segundo Nicolau dos Santos, o policial, então, atirou me seu neto. “Foi uma baita covardia”, afirmou. O PM, que foi preso em flagrante, em depoimento afirmou que o surfista o ameaçou com um facão. E que atirou para evitar ser agredido.

Medina presta mais uma homenagem

No Facebook, o surfista campeão mundial Gabriel Medina prestou mais uma homenagem ao amigo. "O céu ganhou mais um anjo, tenho certeza que a cada remada vc vai estar com a gente!!!" . Até o final desta quarta-feira mensagem tinha mais de 150 mil 'curtidas' e dois mil compartilhamentos na rede social. 

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