‘Derrotados fanfarrões’, diz Santana sobre Aécio e Marina

Marqueteiro de Dilma Rousseff afirma que opositores ‘não estavam à altura’

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Demorou, mas enfim veio à tona a análise - e a ácida explosão - de um dos personagens mais emblemáticos e comentados da última eleição presidencial. No livro “João Santana: um marqueteiro no poder”, lançado hoje pela editora Record, o homem central da campanha do PT na reeleição de Dilma Rousseff fala pela primeira vez ao jornalista Luiz Maklouf Carvalho sobre as críticas a seu trabalho e não poupa os adversários, a quem chamou de “derrotados fanfarrões”.

Vencedor de sete campanhas presidenciais pelo mundo, o baiano de Tucano responde às críticas de que fez uma campanha mentirosa e baixa dizendo que a de Aécio Neves (PSDB) “fez uso amador da mediocridade”. Para ele, os opositores de Dilma na disputa “ não estavam à altura”. O marqueteiro Paulo Vasconcellos, responsável pela campanha de Aécio, não escapa. “Este rapaz é um marqueteiro de segunda divisão que entrou, por acidente, na primeira”, ataca.

O livro com a história de João Santana será lançado nesta sexta-feiraDivulgação

Sobre a candidata do PSB, Marina Silva, também sobraram alfinetadas. Ao comentar sobre os programas de TV que atingiram em cheio a ambientalista em temas como o papel do Banco Central, Santana argumenta que a falta foi da adversária, em não responder. “Marina não revidou as nossas críticas ou por ingenuidade, ou fragilidade teórica ou por soberba”, afirma. Para o marqueteiro é falsa a ideia de que o eleitor não gosta de embates. “Perde quem não sabe atacar”, diz.

Recordista de vitórias em eleições, Santana revela na obra que uma das principais polêmicas da eleição foi uma estratégia planejada. Em meio ao furacão político das manifestações de junho de 2013, o marqueteiro declarara ao autor em perfil publicado na revista Época que Dilma iria ganhar no primeiro turno porque ocorreria uma “antropofagia de anões”.

Santana admite que a declaração foi feita num momento de fragilidade da candidatura da Dilma e tinha como objetivo testar os adversários. “Eu tinha a intenção de fortalecê-la. Queria fazer meu primeiro teste de força e do equilíbrio emocional dos principais concorrentes. Queria encontrar uma forma mesmo que pequena, de enfraquecê-los”, explica. E completa, irônico, dizendo que pela quantidade de comentários que Aécio, Marina e até o então candidato do PSB Eduardo Campos fizeram sobre a declaração: “eles morderam fortemente a isca. A metáfora os envenenou”.

A obra também recompõe parte da trajetória de Santana como repórter de diversos veículos da imprensa nacional até a opção pelo marketing político. Segundo o autor, o livro tenta “ desvendar um pouco mais sobre esse rico, intrigante e complexo personagem que saiu de sertão em Tucano, na Bahia, e se transformou em um dos homens mais poderosos do Brasil”, afirma o autor.


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