De Olho na Política: Até Churchill pagou pelos erros

Com a derrota em Gallipoli, o herói inglês perdeu o comando da Marinha. Até onde irá a sobrevida de Graça Foster na Petrobras?

Por thiago.antunes

Rio - Na sexta-feira, a Inglaterra lembrou os 50 anos da morte de Winston Churchill, o maior líder político de sua história moderna. Quando o estadista morreu, em 24 de janeiro de 1965, foi realizada uma grande procissão naval no Rio Tâmisa com a presença da Rainha Elizabeth e de autoridades estrangeiras. Agora, o governo inglês fez questão de repetir a homenagem, usando a mesma embarcação à frente do cortejo.

Para os súditos de Sua Majestade, não fossem a coragem e a determinação de Churchill ao enfrentar a Alemanha de Hitler, o desfecho da II Guerra Mundial teria sido bem diferente. Em meio ao bombardeio de Londres, foi ele quem liderou a resistência e garantiu que a Inglaterra sairia vitoriosa, mesmo à custa de “sangue, suor e lágrimas”. No início, deu combate sozinho, até que os americanos atravessaram o Atlântico após o bombardeio de Pearl Harbour. Merece todas as honras póstumas.

Lembro-me bem que, quando era menino da Tijuca, os adultos em suas conversas referiam-se a Churchill com intimidade. Parecia que falavam de um político brasileiro. E sua imagem bonachona, sempre com um charuto na boca, era presença certa nos jornais e na maior revista de então, ‘O Cruzeiro’.

Com a derrota em Gallipoli%2C o herói inglês perdeu o comando da Marinha. Até onde irá a sobrevida de Graça Foster na Petrobras%3FAgência Brasil

A guerra tinha acabado há mais de uma década, mas as discussões sobre política internacional eram acaloradas, com outros nomes citados com frequência, entre eles, Eisenhower, Roosevelt, De Gaulle, Adenauer e Kruschev, o sucessor de Stalin na União Soviética. Também se debatia a política nacional, e os nomes na roda eram os de Getulio Vargas, Luiz Carlos Prestes, Juscelino Kubitschek, Lott, Ademar, Carlos Lacerda, Jango e Brizola. Eu acompanhava curioso enquanto os adultos não me punham para fora. “Vai brincar, menino!”

Churchill, portanto, foi admirado (e ainda é) também pelos brasileiros. Com pouco mais de 20 anos, o jovem aristocrata encantou os ingleses com suas aventuras durante a Guerra dos Boêres, na África do Sul. Depois fez brilhante carreira na política, tornando-se por duas vezes primeiro-ministro. Suas autobiografias e seus relatos sobre a II Guerra são leitura obrigatória para quem gosta de política ou pretende ingressar nela.

Houve época em que os jovens inspiravam-se em Napoleão (Churchill foi um deles), mas, nos tempos modernos, Churchill é referência obrigatória. Suas frases também. Por exemplo, “Política é quase tão excitante quanto a guerra e é igualmente perigosa”. Quando, aos 26 anos, ele deu os primeiros passos na política, uma revista semanal de Londres não teve dúvida: “Surgiu uma nova personalidade para dar vida nova a uma Câmara moribunda”.

Nestes dias em que faz de tudo para preservar a amiga Graça Foster à frente da Petrobras, a presidenta Dilma Rousseff bem que poderia dar uma olhada na vida de Churchill. A solidariedade é um belo gesto, mas tem limites. E a vida pública é implacável com fracassos. Aos 40 anos, Churchill estava no auge. Primeiro Lord do Almirantado, comandava a Marinha Real no início da I Guerra Mundial e foi responsabilizado pela derrota fragorosa para os turcos em Gallipoli em abril de 1915, na batalha pelo estreito de Dardanelos. Quase 200 mil ingleses e australianos morreram e Churchill caiu em desgraça. Perdeu o cargo na maior humilhação de sua vida. Só voltou ao poder em 1940, aos 65 anos.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia