Por victor.duarte

Brasília - O relator da CPI da Petrobras, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), definiu os nomes dos primeiros depoentes, pela ordem:

- o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli;
- a ex-presidente da Petrobras Graça Foster;
- a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard;
- o doleiro Alberto Youssef;
- o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa; e
- o ex-gerente executivo de Engenharia da Petrobras, Pedro Barusco.

Sérgio Gabrielli e Graça Foster (foto) devem ser os primeiros a depor na CPI da PetrobrasAgência Brasil

O plano de trabalho anunciado pelo relator prevê ainda o interrogatório de réus e pessoas denunciadas na Justiça, assim como a solicitação de inquéritos da Polícia Federal ligados à Operação Lava a Jato, investigações do Tribunal de Contas da União (TCU) e outros órgãos de controle e o compartilhamento de informações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, encerrada em dezembro do ano passado.

Ao todo, Luiz Sérgio contemplou 43 requerimentos de oitivas apresentados pelos membros da CPI.

Também devem ser chamados para depor: João Adalberto Elek Junior (diretor de Governança e Risco da Petrobras), Jorge Zelada (ex-diretor da Área Internacional da Petrobras), Nestor Cerveró (ex-diretor da Petrobras), Renato Duque (ex-diretor da Petrobras), Júlio Faerman (empresário) e Luiz Eduardo Carneiro (presidente da empresa Sete Brasil).

Apesar da intenção contida no plano de trabalho do relator, os nomes e a ordem dos depoimentos ainda devem ser aprovados pelos membros da comissão, já que estão previstos em requerimentos que ainda serão votados pela CPI.

CPI da Petrobras começa com os nervos à flor da pele

Terminou em bate-boca, com xingamentos entre deputados, a primeira parte da reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar a corrupção na Petrobras. Os ânimos se acirraram depois que o presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), decidiu criar quatro sub-relatorias e indicar oposicionistas para os cargos, sem consultar os integrantes da comissão.

Em seu segundo mandato, Motta, de 25 anos, chegou à presidência da CPI pelas mãos do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que nos bastidores articula a atuação da comissão para pressionar o Palácio do Planalto.

A condução dos trabalhos por Motta foi alvo de críticas e, na primeira sessão deliberativa da CPI, o clima ficou tenso. Inconformado com a escolha de deputados contrários ao Palácio do Planalto para as sub-relatorias, Edimilson Rodrigues (Psol) chamou Motta de “moleque” e “coronel”. Eles quase se atracaram. Deputados do PPS e PSB, além do Psol, reclamaram por não ter sido consultados sobre as sub-relatorias — o que esvazia os poderes do relator Luiz Sérgio, do PT do Rio.

Após o tumulto, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi à CPI e defendeu Motta. Segundo ele, as decisões do aliado têm previsão regimental. “Não há dúvida nenhuma de que a decisão dele será mantida. As pessoas estão acostumadas a achar que no Parlamento tem que ter confusão e ganhar no grito. Temos que fazer o que for correto para a investigação prosseguir”, disse Cunha.

Citado na Operação Lava Jato e um dos nomes enviados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal, ele se colocou à disposição da CPI para depor.

São quatro as sub-relatorias: superfaturamento e gestão temerária de construção de refinarias, com Altineu Côrtes (PR-RJ); irregularidades feitas por subsidiárias da Petrobras, nas mãos de Bruno Covas (PSDB-SP); superfaturamento na compra de navios de transporte e navios-sonda, sob o comando de Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP); e irregularidades na Sete Brasil e em venda de ativos da Petrobras na África, que será comandada por André Moura (PSC-SE).

Ainda na primeira parte da sessão da CPI, o deputado Hugo Motta rejeitou o requerimento do PT que pedia a ampliação do período das investigações para a gestão Fernando Henrique Cardoso. Mas ele ressaltou que não há impedimento para estender os trabalhos da CPI a fatos outros que surjam durante a investigação.

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