Em CPI, diretores negam influência de Lula em decisões do BNDES

Júlio Cesar Maciel e Roberto Zurli deram depoimento nesta terça-feira na Câmara dos Deputados

Por gabriela.mattos

Brasília - Diretor Industrial, de Capital Empreendedor e de Mercado de Capitais do BNDES, Júlio Cesar Maciel Ramundo diz não haver possibilidade de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha influenciado decisões do banco em benefício de um ou outro projeto, seja no Brasil seja no exterior. Roberto Zurli Machado, Diretor de Infraestrutura e Insumos Básicos do BNDES, também respondeu negativamente diante de tal possibilidade. Ambos falam na qualidade de testemunha na CPI do BNDES, na Câmara dos Deputados.

Questionados pelo tucano Alexandre Baldy (GO) se haviam de alguma forma sofrido pressões de Lula e dos ex-ministros Antonio Palocci (Fazenda) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) em favor de empresas e projetos no âmbito dos financiamentos do BNDES, ambos rejeitaram tal possibilidade.

Diretores negam influência de Lula em decisões do BNDESReuters

“Nunca estive com o ministro Palocci. Com o presidente Lula estive numa única ocasião num evento no BNDES onde fui só apresentado, por dez segundos. A minha relação com o ex-ministro Pimentel se limitou às reuniões do conselho de administração do BNDESpar”, disse Ramundo. Silva também negou influência dos três em sua área de atuação no BNDES. Ramundo foi além e disse ser muito difícil que Lula pudesse influenciar decisões do banco.

“No meu caso desconheço e tenho convicção de que os procedimentos do BNDES e a forma como o BNDES atua, de impessoalidade, impedem que isso ocorra”, afirmou. A dupla não é a primeira a negar que Lula possa ter influenciado decisões de financiamento do banco. No dia 1º de setembro, a diretora de Comércio Exterior do BNDES, Luciene Ferreira Monteiro Machado, engrossou o coro que inocenta Lula ao dizer que é “quase impossível” que o ex-presidente tenha feito tráfico de influência no âmbito do banco.

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Em 8 de julho, o Ministério Público Federal do Distrito Federal instaurou Procedimento Investigatório Criminal para apurar se Lula agiu em favor da empreiteira Odebrecht para o fechamento de contratos entre os anos de 2011 e 2014, na República Dominicana e em Cuba. O ex-presidente teria supostamente agido em contratos para a construção do Porto de Mariel, em Cuba, obra financiada pelo BNDES.

“A respeito de eventual influência política nas decisões do BNDES, quero dizer que o BNDES tem um processo absolutamente consagrado há mais de 60 anos de decisões colegiadas, compartilhadas, de forma que não há ingerência na forma como o BNDES atua nas suas operações. As operações são analisadas pelas equipes técnicas do banco, tramitam em diferentes colegiados, órgãos e pessoas e essas informações são levadas, com parecer técnico, para decisão final da diretoria do BNDES”, declarou Ramundo.

Grupo X

O chefe da Diretoria Industrial, Capital Empreendedor e Mercado de Capitais do BNDES falou a respeito de investimentos feitos pelo banco no grupo EBX, de Eike Batista. Segundo ele, as operações de investimento no grupo do ex-milionário não teriam resultado em perdas para o BNDES.

“O banco realizou investimentos em algumas empresas do grupo EBX, no que diz respeito aos financiamentos não houve nenhuma perda. Houve situações em que ou esses investimentos estavam em dia ou essas garantias foram executadas, inclusive fianças bancárias, ou a terceira situação, esses ativos foram vendidos para outro acionista e esse acionista permanece em dia”, resumiu o diretor.

“No caso das operações de renda variável, fizemos investimentos em algumas empresas do grupo EBX que, ao longo do tempo, algumas delas mudaram de mãos também nesse período. Então, situação de empresa do grupo EBX em que na contabilidade geral o BNDES não realizou perdas que tenham sido dirigidas pelo grupo EBX”, acrescentou Ramundo.

Fonte: IG

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