Eduardo Cunha recebe 'chuva de dólares' durante entrevista na Câmara

Manifestação pedia impeachment do presidente da Câmara. Rosto do deputado foi desenhado nas notas

Por gabriela.mattos

Brasília - Esta quarta-feira foi mais um dia difícil para o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Se por um lado ele ganhou um ‘refresco’ do Planalto, graças à declaração do líder do governo, José Guimarães (PT-CE), de que o peemedebista não pode ser previamente condenado, um manifestante jogou um balde de dólares falsos sobre o parlamentar durante entrevista coletiva no Salão Verde da Câmara. Alvo da Lava Jato, Cunha é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e por manter contas bancárias secretas na Suíça.

“Trouxeram sua encomenda da Suíça”, gritou o homem, identificado como Tiago Ferreira, de 26 anos, antes de dar um banho de notas de 100 dólares falsas em Eduardo Cunha. As cédulas tinham impresso o rosto do parlamentar que, no momento, falava com a imprensa. Houve confusão com grupos pró-impeachment da presidenta Dilma Rousseff. “Vou impor a ordem à Casa, pode ter certeza disso”, afirmou o presidente da Câmara. Tiago foi levado pela Polícia Legislativa.

Eduardo Cunha recebe 'chuva de dólares' ao dar entrevista na CâmaraAgência PT

Esperava-se que ontem fosse conhecido o relator do processo de cassação de Eduardo Cunha no Conselho de Ética da Câmara. Mas a decisão ficou para hoje, segundo informou o presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA). Ele afirmou precisar de “mais informações”sobre Vinícius Gurgel (PR-AP), Fausto Pinato (PRB-SP) e José Geraldo (PT-PA). Os dois primeiros são considerados próximos a Cunha e chegaram a fazer campanha por ele no começo do ano. A partir da definição do relator, este terá dez dias para elaboração de parecer inicial sobre a aceitação ou não do processo contra o peemedebista.

As chances do petista José Geraldo assumir a função são pequenas: avalia-se que seu tom é agressivo na defesa do governo Dilma Rousseff. No Planalto, a aprovação do ajuste fiscal continua sendo prioridade maior que a queda de Eduardo Cunha. Nesta quarta-feira, o líder José Guimarães disse que Cunha tem condições de permanecer no cargo. “Ninguém pode ser excluído de suas funções ou condenado sem o trânsito em julgado. E isso vale para o Conselho de Ética”, afirmou o petista, que negou acordo entre governo e o peemedebista e defendeu um “diálogo institucional” com Cunha.


Cédulas de mentira foram impressas com a foto de Eduardo CunhaiG Brasília


Painel pró-impeachment de Dilma causa confusão

Além da chuva de dólares sobre Cunha, a Câmara já havia registrado momentos tensos antes, quando parlamentares da oposição instalaram um painel que coleta assinaturas dos deputados pró-impeachment da presidenta Dilma Rousseff. O painel foi retirado a pedido de Eduardo Cunha após confusão entre manifestantes a favor da saída da presidenta e deputados do PT que passaram pelo local. A deputada Moema Gramacho (PT-BA) relatou ter sido agredida ao tentar acompanhar a retirada do painel. O deputado Alexandre Leite (DEM-SP) deu voz de prisão a funcionário ligado a um gabinete do PT. “Vi ele puxando a faixa e dei voz de prisão”, afirmou Alexandre. O homem foi levado pela Polícia Legislativa. Eduardo Cunha afirmou que irá instaurar uma sindicância para apurar os estragos e prometeu punição aos que cometeram irregularidades. Movimentos da oposição prometeram ficar acampados na Câmara.

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