Por felipe.martins

Brasília - O deputado Sandro Alex (PPS-PR) será o relator do processo no Conselho de Ética contra o líder do Psol, deputado Chico Alencar (RJ). Alex afirmou que vai receber a documentação na próxima segunda-feira e apresentar o parecer preliminar dentro de 10 dias úteis. “Pelo que acompanho, são denúncias que dizem respeito à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público, então vou procurar esses órgãos para fundamentar minha decisão”, disse o relator.

Chico diz que é alvo de vingança de Eduardo CunhaABr

O presidente do conselho, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), afirmou que a escolha de Sandro Alex, a partir de lista tríplice sorteada na quarta-feira (11), se deu porque o parlamentar é isento. O pedido de cassação de Alencar foi apresentado pelo Solidariedade sob os argumentos de suposto uso de notas frias para comprovar gastos da sua cota parlamentar e de suposta irregularidade em doações à sua campanha eleitoral.

Defesa antecipada

Chico Alencar antecipou a sua defesa no conselho para, segundo ele, mostrar a correção das doações e o arquivamento do procedimento do Ministério Público que investigou o uso das notas. Alencar disse ter detectado, na representação do Solidariedade, "Vinte e cinco mentiras, falsidades, afirmações enganosas e impropriedades". Ele afirmou ter orgulho da colaboração de sete servidores do seu gabinete, que fizeram doações voluntárias, dentro dos limites permitidos pela Justiça Eleitoral.

De acordo com Alencar, a representação contra ele não passa de tentativa de vingança diante do processo de cassação que o Psol e a Rede Sustentabilidade movem contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, com base em supostas contas secretas na Suíça e em delações da Operação Lava Jato.

Jean Wyllys

O presidente do conselho também recebeu representação contra o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) por suposta quebra de decoro parlamentar apresentado pelo PSD, a pedido do deputado João Rodrigues (PSD-SC). Araújo informou que dará prosseguimento ao processo e que a escolha do relator deverá ser feita na próxima semana.

Os dois deputados bateram boca no último dia 28 de outubro no plenário da Câmara. Em discurso, Rodrigues  criticou parlamentares que se colocam contra o Estatuto do Desarmamento, lembrou com ironia que Wyllys se tornou conhecido ao ganhar o BBB chegou a chamá-lo de “escória” do país.  Na resposta, Wyllys chamou o parlamentar por Santa Catarina de “fascista” e “ladrão” e ainda fez menção ao caso de um vídeo pornô que o deputado do PSD teria assistido durante uma sessão de votação.

Rodrigues alega ter sido ofendido por Wyllys durante a sessão do Plenário da Câmara no último dia 28. “Temos que acabar com esta palhaçada na Câmara; isto aqui não pode ser um circo, onde todo o mundo sobe na tribuna, acusa levianamente um parlamentar e depois se cai no esquecimento. Precisamos moralizar a Câmara”, disse João Rodrigues. A assessoria do deputado Jean Wyllys informou que ele se manifestará sobre o assunto na próxima semana, depois de avaliar o caso.

Questionado pela imprensa se a quantidade de novos processos no conselho é uma forma de tumultuar o colegiado em razão da representação contra o presidente Eduardo Cunha, o deputado José Carlos Araújo afirmou que sua obrigação é receber tudo o que for apresentado no conselho. “Agora, cada um pode pensar o que quiser”, disse Araújo. O deputado João Rodrigues, por sua vez, afirmou que não tem relação com o presidente Cunha e que o processo pedido por ele diz respeito apenas ao problema que teve com Jean Wyllys.

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