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De Olho na Política: Pelo fim do UFC dos deputados

Seja na direita ou na esquerda, existem aqueles que pensam no melhor para o país

Por bferreira

Rio - As cenas de tabefes e empurrões que vimos no Congresso nos últimos dias são,por todos os aspectos, lamentáveis. Agressões assim representam o avesso da política, que deve, por definição, ser a arte de negociar com as diferentes correntes ideológicas. Quando passa a imperar a lei do mais forte, os políticos perdem sua função. Não é preciso mais argumentar, convencer, dialogar. Basta usar a força. O pior, porém, é que os golpes de UFC parlamentar chamam a atenção para o pior grupo de congressistas. Os melhores, aqueles que trabalham em silêncio e não levantam a mão para agredir seus pares, parecem invisíveis. Mas eles estão lá.

Deputados brigaram em sessão do Conselho de ÉticaReprodução / TV Câmara

No atual estágio de degradação da política brasileira, ganha os holofotes aquele que diz a maior bobagem, o mais corrupto, o mais violento, o recordista em tramoia. Como em uma turma comportada se destaca o grupo de alunos mais barulhento e bagunceiro, também no atual Parlamento ganha fama quem for mais bizarro. Em um ambiente tão selvagem, parece mesmo incrível que haja políticos honestos e trabalhadores. Pois saiba: seja na direita ou na esquerda, existem aqueles que têm ideais e acreditam neles, deputados e senadores que pensam no melhor para o país. Se não fosse isso, já teríamos ido para o buraco (ou para um buraco mais fundo).

Ao que parece, infelizmente, estes são minoria. Isso torna muito mais difícil escolher algum candidato que nos represente e aja de acordo com o que achamos correto. Foi esse o motivo pelo qual tantos eleitores abriram mão do seu direito de escolha nas últimas eleições e votaram nulo. Com bastante motivo, o brasileiro nunca esteve tão desiludido com a política.

Deixar de participar, no entanto, equivale a entregar o poder a figuras como aquelas, que se esmurram em plena sessão do Congresso. Só há uma forma de banir políticos que não ligam a mínima para crise econômica, as tragédias ambientais ou o surto de microcefalia que aflige a população. É elegendo outro tipo de gente para exercer mandatos. A semana que começa hoje será tensa no Congresso e promete mais baixaria e cenas censuráveis. Quando vir no jornal ou na TV o próximo tabefe desferido por um deputado, não pense em abandonar a política. Aí mesmo é que é preciso participar dela.

POR TRÁS DA TRIBUNA

Enquanto várias emissoras de TV estimavam que o número total de manifestantes que foram às ruas neste domingo, pelo impeachment de Dilma Rousseff, somaram 80 mil pessoas em todo o país, um dos coordenadores do grupo ‘Revoltados On Line’, Rodrigo Brasil, delirava sobre a mobilização na Praia de Copacabana. “Temos 100 mil pessoas aqui”, bradava.

Pouco depois, outra porta-voz do grupo voltou atrás e preferiu não arriscar uma estimativa. Deve ter notado que nem mesmo os simpatizantes do movimento acreditariam em um número tão superfaturado.

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