Por felipe.martins

Rio - Esse momento demorou muito a chegar, alguns até duvidaram que aconteceria, mas finalmente, estamos nós a poucos dias do fim do ano. Quando atravessarmos a fronteira do dia 31, estaremos livres dos 365 dias mais sofridos das últimas décadas. De janeiro a dezembro, assistimos acontecimentos ruins em vários setores da vida brasileira, mas a política foi especialmente contemplada. Difícil arriscar um palpite sobre como a História vai contar o que aconteceu em 2015, diante de tantas aberrações no Executivo e no Legislativo. Para facilitar a vida dos historiadores do futuro, aí vai uma relação:

FOI EM 2015 que o PT perdeu de vez a fama de legenda heroica no combate à corrupção. O que restou de esperança depois do caso Mensalão, acabou soterrado diante dos milhões que foram roubados da Petrobras sob as barbas da gestão petista.

VIMOS TAMBÉM a presidenta Dilma governar de forma exatamente inversa à que prometeu na campanha, acuada por parlamentares fisiológicos e distribuindo agrados e nomeações para manter um mínimo de apoio no Congresso.

NESTE ANO, vivemos para assistir algumas passeatas de gente que, além de pedir o impeachment de Dilma, suplicava por intervenção militar. Até mesmo os comandantes das Forças Armadas foram surpreendidos por tamanha loucura.

NOS ÚLTIMOS MESES, a Câmara dos Deputados funcionou sob as rédeas do presidente da Casa. Eduardo Cunha tratou o Parlamento e o próprio país como se fossem anexo de sua mansão na Barra, de acordo com seus humores e interesses.

AS QUESTÕES da política saíram do âmbito do Congresso e muitas vezes foram decididas nos tribunais. Tanto o juiz Sérgio Moro quanto os ministros do STF passaram a ser vistos como as verdadeiras vozes decisórias em assuntos que os políticos deveriam resolver.

EM SÃO PAULO, surgiu um movimento estudantil que conseguiu reverter a decisão do governador Geraldo Alckmin, que pretendia fechar 93 escolas. Foi rara mobilização popular recente que atingiu seu objetivo.

VIMOS A OPOSIÇÃO apostar no “quanto pior, melhor”, apoiando qualquer projeto no Congresso que criasse mais despesas para o governo, sem se importar se isso traria mais sofrimento à população.

ESTE FOI O ANO em que o PMDB bateu seu recorde. Normalmente, o partido apoia governos e tem rompantes oposicionistas. Dessa vez, os peemedebistas conseguiram ser governo e oposição ao mesmo tempo.

COMO SE VÊ, quase todas as ocorrências listadas foram ruins. Há quem fale em desesperança, em beco sem saída. Pois existe outra leitura possível: somente quando conhecemos o problema em sua extensão real é que podemos pensar soluções verdadeiras. A imagem institucional da política e dos políticos brasileiros foi quebrada irremediavelmente, e isso pode ter sido o melhor de 2015. Que essa seja a base para construir nova política em 2016. Feliz Ano Novo.


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