Por bferreira

Brasília - Em mensagens nas redes sociais, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, acusou a oposição de querer “ganhar no tapetão” ao tentar aprovar o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ao afirmar que baixa popularidade não é motivo para se deflagrar o processo de impeachment, o ministro argumentou que os partidos de oposição têm o direito de criticar o governo federal. Mas pediu que respeitem a vontade da maioria, que reelegeu Dilma Rousseff em 2014.

Nas redes sociais, o ministro pediu que respeitem a vontade da maioria, que reelegeu Dilma em 2014Agência Brasil

“Não é por conta de baixa popularidade que se retira uma presidente do poder”, escreveu o ministro. “A oposição parece os cartolas do futebol, que, quando perdem em campo, querem ganhar no tapetão”, afirmou.

Pesquisa de dezembro da Datafolha aponta que a desaprovação do governo Dilma alcançou 65%, contra apenas 12% que o aprovam.

Com o recesso do Congresso, o governo federal avalia que o processo de impeachment contra a presidente na Câmara dos Deputados perdeu força. Mas o Palácio do Planalto tem atuado para que ele seja arquivado ainda na Câmara, sem ter que ser apreciado no Senado.

Nesse esforço, o núcleo político do Palácio do Planalto negocia a liberação de emendas parlamentares e a indicação de cargos de segundo e terceiro escalões.

Além disso, o Planalto trabalha para manter o líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), no cargo. Ele é considerado um aliado de Dilma, e deverá disputar a recondução em fevereiro com um indicado, que ainda será definido, da ala da legenda que faz oposição à presidente.

Para esvaziar o grupo do PMDB pró-impeachment, Dilma ofereceu o Ministério da Aviação Civil aos peemedebistas de Minas Gerais. O nome escolhido pelo governo federal é do deputado federal Mauro Lopes (PMDB-MG), mas a presidente não pretende entregar o posto sem uma garantia de apoio contra o processo de afastamento de seu mandato na Câmara.

Ontem, o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse que o próximo líder do PMDB precisa ser alguém capaz de “unir a bancada” e que não seja “assessor” ou “representante” do governo Dilma. “Tem que se buscar alguém que reúna a bancada de novo. A liderança do PMDB não pode se transformar num assessor do governo ou alguém que represente o governo. Não pode ser nem de governo nem de oposição. Tem que representar a bancada”, afirmou Cunha.

DEM quer ouvir Cerveró na comissão

O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), anunciou ontem que pretende propor a convocação do ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró na comissão especial que vai analisar o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Na avaliação de Mendonça, Cerveró é “uma peça-chave”.

Para o líder do DEM, os trechos da delação de Cerveró divulgados até o momento envolvem mais diretamente a Petrobras, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma. Cerveró afirmou ter ouvido do senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) que Dilma havia colocado todas as presidências da BR Distribuidora à disposição do político.

Mendonça Filho não descarta também pedir para ouvir os outros diretores da Petrobras. A comissão que vai analisar o pedido de impeachment será instalada em fevereiro, quando termina o recesso parlamentar.

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