Em pronunciamento Dilma pede empenho de todos contra o Aedes

Presidenta usou rede nacional de rádio e televisão na noite dessa quarta para exige o engajamento de todos contra o mosquito

Por rafael.souza

Brasília - Em cadeia nacional de rádio e televisão, a presidenta Dilma Rousseff fez, na noite dessa quarta-feira, uma convocação a todos os brasileiros para que se engajem no que chamou de "luta urgente" contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor do vírus Zika.

Por meio de uma gravação em vídeo, exibida em todos os canais abertos de televisão, Dilma insistiu que o "principal instrumento" de combate ao mosquito é evitar o nascimento do inseto. No pronunciamento, ela disse que queria transmitir uma "palavra especial de conforto" às mulheres grávidas, garantindo que o governo federal fará "absolutamente tudo" para apoiar as crianças atingidas por microcefalia, malformação em bebês que está relacionada ao vírus.

"Convoco cada um de vocês para lutarmos juntos contra a propagação do mosquito transmissor do vírus Zika", invocou a presidenta, dizendo que o vírus se tornou uma "ameaça real aos lares de todos os brasileiros".

No pronunciamento%2C com dez minutos de duração%2C Dilma voltou a defender o combate ao mosquitoReprodução Vídeo

"A guerra contra o mosquito transmissor do Zika é complexa, porque deve ser travada em todos os lugares e, por isso, exige engajamento de todos. Se nos unirmos, a maneira de lutar se torna simples. Não podemos admitir a derrota porque a vitória depende da nossa determinação em eliminar os criadouros", afirmou a presidenta.

Usando palavras como "repito" e "insisto" para enfatizar o apelo, Dilma pediu "cuidado contínuo" aos cidadãos: "em nossas casas, em nosso trabalho, nas nossas escolas, nos logradouros públicos, em todos os lugares, para que estes não se transformem em lares para o mosquito transmissor do vírus Zika".

"O governo está colocando todos os recursos financeiros, tecnológicos e humanos necessários nesta luta em defesa da vida", acrescentou a presidenta. Ela mencionou, em seguida, parcerias internacionais que o governo brasileiro tem feito para o desenvolvimento de vacina contra o Zika "o mais depressa possível". Uma das pesquisas já foi acertada com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Ações coordenadas

Embora tenha informado que mais de dois terços dos criadouros estejam nas residências, a presidenta disse que "todos os prédios do governo" serão inspecionados. Na mensagem, ela lembrou da ação que será feita no próximo dia 13, quando 220 mil homens das Forças Armadaspercorrerão 356 municípios em busca de focos do inseto e para conscientizar os moradores.

"Vamos nos espalhar por todo território nacional e, junto com os agentes de endemia e de saúde, junto com você, vamos visitar o máximo possível de casas, para destruir os criadouros do mosquito."

Dilma afirmou que precisara da ajuda de todos e, se dirigindo à população, pediu que colaborem e mobilizem famílias e a comunidade. "Formemos um grande exército de paz e de saúde, com a participação dos 204 milhões de brasileiros e brasileiras. Vamos provar, mais uma vez, que o Brasil é forte, tem um povo consciente e não será derrotado por um mosquito e pelo vírus que ele carrega."

Microcefalia

Ao se referir às "mulheres brasileiras, principalmente às mães e às futuras mamães", a presidenta disse querer transmitir uma palavra de conforto. "Faremos tudo, absolutamente tudo, que estiver ao nosso alcance para protegê-las. Faremos tudo, absolutamente tudo, para apoiar as crianças atingidas pela microcefalia e suas famílias."

No fim do ano passado, o Ministério da Saúde estabeleceu a relação entre o aumento da microcefalia no Nordeste do país e a infecção por Zika. Segundo Dilma, o governo federal está mobilizando as redes de saúde, de assistência e "todos os recursos necessários" para apoiar as famílias que conceberem crianças com microcefalia. "Por favor, ajudem-nos a lhes proteger."

Leia a íntegra do prununciamento da presuidenta

Brasileiras e brasileiros,

Peço licença para entrar na casa de vocês e falar de um assunto muitíssimo importante. Não vou falar sobre política ou sobre economia. Vou falar sobre saúde e sobre uma luta urgente que temos que travar neste momento em defesa das nossas famílias. Uma luta que deve unir todos nós.

Convoco cada um de vocês para lutarmos juntos contra a propagação do mosquito transmissor do vírus zika. Este vírus, de presença recente no Brasil e na América Latina, deixou de ser um pesadelo distante para se transformar em ameaça real aos lares de todos os brasileiros. Quando acomete mulheres grávidas, pode comprometer o desenvolvimento do cérebro do feto, causando a microcefalia.

O vírus zika, transmitido pelo mosquito, não tem nacionalidade. Começou na África, se espalhou pelo Sudeste da Ásia, pela Oceania e agora está na América Latina. E este foi um processo excepcionalmente rápido, a partir do ano passado.

O mosquito que transmite o vírus zika pode estar na casa do seu vizinho. Pode estar na sua casa, desde que haja criadouros. Ou seja, água parada contida em caixas d'água, vasos de flores, piscinas, bueiros, garrafas, pneus ou qualquer recipiente descartado como lixo.

Ele só precisa depositar seus ovos em água parada, limpa ou suja, para nascer, se proliferar e picar pessoas de modo a contaminá-las. Enquanto não desenvolvermos uma vacina contra o vírus zika, precisamos combater o mosquito. E a maneira mais eficaz é não deixando ele nascer, destruindo os seus criadouros, que em mais de dois terços, estão dentro das nossas residências.

A guerra contra o mosquito transmissor do zika é complexa, porque deve ser travada em todos os lugares e por isso exige engajamento de todos. Se nos unirmos, a maneira de lutar se torna simples. Não podemos admitir a derrota porque a vitória depende da nossa determinação em eliminar os criadouros.

Repito: basta que impeçamos o mosquito transmissor de se reproduzir em águas paradas. Se o mosquito não nascer, o vírus zika não tem como viver.

O principal instrumento está em nossas mãos: o cuidado contínuo em nossas casas, em nosso trabalho, nas nossas escolas, nos logradouros públicos, em todos os lugares para que estes não se transformem em lares para o mosquito transmissor do vírus zika.

O governo está colocando todos os recursos financeiros, tecnológicos e humanos necessários nesta luta em defesa da vida. Inclusive, buscamos parcerias com vários laboratórios internacionais, para que possamos desenvolver, o mais depressa possível, a vacina. Conversei com o presidente Obama e acertamos colaborar nesse desafio.

No sábado, dia 13, deflagraremos uma megaoperação, envolvendo 220 mil homens e mulheres das Forças Armadas. Os governos estaduais e municipais também estão mobilizados.

Vamos nos espalhar por todo território nacional e, junto com os agentes de endemia e de saúde, junto com você, vamos visitar o máximo possível de casas, para destruir os criadouros do mosquito.

Vamos, também, travar essa luta em todas as unidades do governo federal, em todos os estados da federação. Vamos eliminar os criadouros nos quartéis, nas unidades de saúde, em todos os prédios do governo. Cada funcionário público federal deve se transformar num combatente contra o mosquito e sua reprodução.

Todos nós precisamos entrar nessa verdadeira batalha. Precisamos da ajuda e da boa vontade de todos. Colabore! Mobilize sua família e sua comunidade.

Vou insistir: como a ciência ainda não desenvolveu uma vacina contra o vírus zika, o único remédio realmente eficiente que temos para prevenir essa doença é o vigoroso combate ao mosquito.

Quero transmitir, agora, uma palavra especial de conforto às mulheres brasileiras, principalmente às mães e às futuras mamães. Faremos tudo, absolutamente tudo, que estiver ao nosso alcance para protegê-las. Faremos tudo, absolutamente tudo, para apoiar as crianças atingidas pela microcefalia e suas famílias.

Estamos mobilizando a rede de saúde e a rede de assistência e todos os recursos necessários para ajudá-los a cuidar das crianças afetadas pela microcefalia. Por favor, ajudem-nos a lhes proteger. Formemos um grande exército de paz e de saúde, com a participação dos 204 milhões de brasileiros e brasileiras.

Vamos provar, mais uma vez, que o Brasil é forte, tem um povo consciente, e não será derrotado por um mosquito e pelo vírus que ele carrega.

Mais que nunca, o Brasil precisa da nossa união!

Obrigada e boa noite.

Com informações da Agência Brasil 

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