'Em muitos lugares do mundo, quem grampear o presidente vai preso', diz Dilma

Presidente fez discurso durante entrega de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida em Feira de Santana (BA)

Por karilayn.areias

Rio - A presidente Dilma Rousseff voltou a criticar nesta sexta-feira a interceptação de uma conversa telefônica sua com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no âmbito da Operação Lava Jato. "Em muitos lugares do mundo, quem grampear o presidente vai preso se não tiver autorização judicial da Suprema Corte. Grampeia o presidente dos Estados Unidos e vê o que acontece com quem grampear", declarou Dilma, em Feira de Santana (BA), onde participou da entrega de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida. 

Dilma rebate ações de juiz Sérgio Moro em discurso durante entrega do programa Minha CAsa Minha VidaEfe/Foto de arquivo

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Dilma também rebateu a referência feita pelo juiz Sérgio Moro ao escândalo de Watergate, no Estados Unidos, que culminou com a renúncia do então presidente Richard Nixon, em 1974. "As situações são bem diferentes porque lá era o presidente que grampeava todo mundo. Este exemplo só mostra que nem mesmo um presidente pode grampear (ligações) sem autorização", afirmou. 

Ainda durante o discurso, Dilma disse que o grampo da Presidência da República, sem autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), é um fato grave e fere a Lei de Segurança Nacional, como ocorre em todas os países democráticos. "O problema do grampo não é por ser comigo, a Dilma, mas por eu ser a Presidenta do Brasil", destacou, afirmando que tomará as providências cabíveis de modo a garantir também os direitos individuais de toda a população. "Qualquer brasileiro tem direito às mesmas garantias e proteção", disse. "Se qualquer um for grampeado, ninguém terá direito de cidadania no País", acrescentou.

Dilma relembrou que apesar de ocupar a cadeira da Presidência atualmente, chegou a ser presa por três anos durante a década de 1970. "Hoje, qualquer um pode ir às ruas, criticar, dizer o que pensa e se expressar livremente", afirmou, defendendo a manutenção dos valores democráticos e criticando a politização de instituições jurídicas e policiais. 


* Com informações da Agência Estado

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