Por bferreira

Rio - Com o dólar valorizado em 15,2% no acumulado do ano, o mercado financeiro encerrou 2013 olhando com tristeza para o retrovisor. Ontem a Bovespa encerrou as atividades com R$ 505 bilhões em perdas na comparação com 2012, sendo o pior resultado desde 2009. O vexame só não foi total porque a bolsa registrou bons índices nos segmentos de educação, seguro e meios de pagamento.

Bovespa perde R$ 505 bi em ano ruim para investidoresABr

Analista da XP Investimentos, Thiago Souza destacou as três companhias que tiveram maior elevação. Os grupos educacionais Kroton, com 70%, e a carioca Estácio, com 48%, foram os grandes campeões. Em terceiro, a Cielo teve alta de 43%. “Estas empresas se saíram muito bem, dadas as circunstâncias do mercado”, disse.

De acordo com a consultoria Economatica, a Cielo registrou o maior crescimento nominal de valor de mercado, sendo R$ 51 bilhões contra R$ 42 bi de 2012. O crescimento acumulado das 10 maiores companhias de capital aberto foi R$ 36,7 bi.

Na outra ponta da tabela estão as maiores quedas de valor de mercado. Ainda segundo a Economatica, a Petrobras apresentou recuo de R$ 79,8 bi, enquanto a Vale ficou em segundo no ranking das baixas, com R$ 70,5 bi. A soma dos 10 principais recuos é de R$ 302,8 bi.

“Outros eventos contribuíram para o mau desempenho do mercado de ações”, disse o especialista, citando a trajetória da OGX Petróleo, que frustrou a expectativa dos investidores, além do volume financeiro do Ibovespa, que desvalorizou 15% no ano, ou seja, boa parte das empresas que compõem o índice recuou.

Souza lembrou que no roll dos que puxaram o mercado para baixo está a Petrobras, cuja desvalorização foi de 10% no ano. “Embora tenha diminuído menos que a OGX, que perdeu 94% de seu valor e acabou sendo excluída, a estatal tem muito mais relevância que a companhia X”, explicou.

Com relação à Vale, ele ressaltou que a mineradora desvalorizou 16% devido ao recuo da economia chinesa, que deve fechar 2013 em 7,5% quando nos anos anteriores ficava acima de 9,5%. Isto porque o país asiático tem sido o grande consumidor de ferro da companhia brasileira, mas está diminuindo seu volume de compras. “Isso tem assustado o mercado”, explicou.

Volume de papéis negociados na Bolsa ultrapassou R$ 1,835 trilhão

O volume de papéis negociados na Bolsa de Valores brasileira em 2013 ultrapassou a marca histórica na última sexta-feira, quando registrou R$1,835 trilhão contra R$ 1,755 tri do ano anterior.

Porém, o balanço oficial será divulgado somente na quinta-feira, dia 2, quando o montante será reajustado com o resultado do pregão de ontem.

O Ibovespa fechou 2013 com perdas acumuladas de 15,50%, aos 51.507 pontos. Trata-se do pior trimestre desde o ano de 2009.

O Ibovespa até ensaiou uma recuperação entre junho e outubro, quando subiu 14,29%, mas por fim não conseguiu se desvencilhar do pessimismo do mercado quanto à macroeconomia interna e externa.

Ou seja, com o reaquecimento da economia norte-americana e européia, os investidores redirecionaram seus aportes para outros mercados, ou simplesmente não fizeram nenhuma aquisição.

Internamente, o aumento da inflação e a impressão geral de que as contas públicas estão se deteriorando cada vez mais, fatos aliados à falta de clareza das políticas adotadas pela Fazenda, fez com que os investidores se tornassem ainda mais conservadores na hora de movimentar o capital.

POUPANÇA ACABOU SENDO BOA OPÇÃO

Analistas do mercado financeiro foram enfáticos ao afirmar que 2013 não foi bom para as aplicações de renda variável e nem para as de renda fixa. Somente o Euro, dólar, títulos públicos indexados à Selic, Certificados de Depósito Interbancário (CDI) e poupança tiveram os melhores rendimentos. Inclusive a poupança registrou captação de R$ 46 bilhões nos primeiros onze meses, um aumento de 52% em relação a 2012. Já quem apostou em fundos imobiliários e em algumas ações listadas na bolsa perdeu, e o ouro também despencou no acumulado.

Para o economista Henrique Marinho, o ano foi caracterizado por um período de juros em elevação e, portanto, as aplicações em renda fixa pós-datadas, referenciadas em CDI foram mais rentáveis. “Mesmo com o fraco desempenho das bolsas, alguns fundos de ações também apresentaram bom desempenho, principalmente aquelas que não tinham em suas carteiras ações da Petrobras, Vale e do Grupo do Eike Batista, que foram basicamente as responsáveis pelo fraco desempenho”, comenta.

Gestor de renda fixa, Cássio Padilha observa que o ano foi desafiador, onde se viu boa parte dos investidores migrar para o mercado externo porque o ambiente na economia não esteve favorável. “Imagine pessoas que foram estimuladas à entrar na Bolsa comprando ações do Eike Batista. Foi um desastre”, disse.

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