Por bferreira

Rio - Roupas das lojas Marisa, perfumes e maquiagem do Boticário e chocolates e leites Nestlé vendidos na porta de casa. Essa é principal mudança do segmento de venda direta no Brasil iniciada em 2013 e que deve se consolidar este ano. Apesar de estar presente há 50 anos no mercado brasileiro, a venda porta a porta se concentrava em artigos de beleza ou produtos básicos para o lar, mas o cenário mudou e vai mudar ainda mais.

A rede de lojas Marisa é uma das grandes varejistas que adotou a venda direta para ganhar mercadoBanco de imagens

Boticário, Nestlé e Marisa estão usando essa ferramenta de aproximação com os clientes como alternativa para chegar a cidades onde uma loja física pode ainda não ser viável ou onde os altos custos de um ponto de venda atuam como barreira. No rastro dessas marcas líderes, outros segmentos já planejam apostas financeiras altas na venda direta.

Os dados finais de 2013 do setor ainda não foram fechados. Mas, de acordo com a diretora executiva da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Abevd), o balanço do primeiro semestre é um indicador positivo de que o segmento vive um bom ano. De janeiro a junho de 2013, o volume de negócios foi de R$ 18,4 bilhões, 5,9% superior ao registrado em igual período do ano passado.

O número de revendedores de todo o setor — ou seja, somando profissionais autônomos atuantes em empresas associadas e não associadas —, também foi maior entre os semestres. Na primeira metade de 2013 eles chegaram a 4,3 milhões.

“Estes resultados mostram que o caminho no ano de 2013 é de crescimento. Tivemos redes entrando nesse novo canal de vendas. Um revendedor é uma loja ambulante e no atual momento de dificuldade do varejo em encontrar espaço físico, já que os custos estão exorbitantes, esse é um bom caminho. O Brasil tem uma posição relevante no ranking mundial de faturamento desse mercado. Estamos na quarta posição, atrás dos EUA, Japão e China", destaca Roberta Kuruzu, diretora da Abevd.

Marisa espera atingir um faturamento de R$ 500 milhões em cinco anos

Gerente comercial da Natura, Alexandre Arbex observa mudanças no mercado de venda direta nos últimos três anos. Segundo ele, novas empresas internacionais chegaram ao país e players nacionais de outros segmentos passaram a atuar nesse mercado, caso da concorrente O Boticário. “Os números mostram que ainda há possibilidade de expansão. O mercado de venda direta ainda não chegou ao seu limite”, diz.

Uma das “novatas” do segmento, a rede de lojas Marisa já tem mais de 18 mil consultoras cadastradas em nove estados. Marcel Szajubock, gerente geral de Venda Direta da Marisa, diz que o desempenho do setor levou a rede a buscar uma nova forma de relacionamento com os clientes. “Ainda é cedo para sabermos o quanto representará a venda direta no faturamento da rede. De qualquer forma, acreditamos que o sistema de vendas diretas da Marisa ganhará representatividade relevante no faturamento total da empresa nos próximos anos. A expectativa é, no prazo de cinco anos, atingir um faturamento próximo a R$ 500 milhões”, afirma.

Roberta Kuruzu, da Abevd destaca que a entrada de empresas de diferentes segmentos no mercado vai ajudar a engordar o faturamento de quem já atua nessa área, diz ela. “Com a mudança de perfil, pessoas que trabalham com venda direta terão mais a oferecer. Em outros países esse é um mercado bastante pulverizado, que oferece até mesmo serviços advocatícios. Esse é o caminho”, diz.

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