Por bferreira

Rio - Diante de um cenário pessimista projetado para 2014, com alta de inflação e com baixo crescimento do país, somente a balança comercial vem como um fator positivo para o ano que se inicia. Os números relativos às exportações e importações do país em 2013 estão mostrando equilíbrio, mas este ano o saldo positivo brasileiro deverá ser maior. Segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o superávit da Balança Comercial deverá alcançar US$ 7,2 bilhões, um aumento de 926% em relação aos US$ 704 milhões projetados para o ano que terminou. As perspectivas de recuperação da balança têm o petróleo como protagonista. A estimativa da AEB é de que o combustível fóssil, vilão da balança em 2013, ajudará a sustentar saldos positivos neste ano. De acordo a entidade, haverá incremento de 49,6% nas vendas externas do produto na comparação com o registrado ano passado.

Crédito mais caro%2C inflação em alta e reajustes salariais menores devem reduzir a expansão do comércio no país%2C segundo a própria confederação do setorDivulgação

“A expectativa tem relação com a retomada de funcionamento das plataformas e pequeno aumento da produção por empresas estrangeiras. Temos que torcer para que não haja queda na quantidade (exportada), pois estamos observando queda de preço também. O petróleo é o ponto principal que está sustentando a balança para o próximo ano. Tem havido uma queda especulativa do preço, mas não é forte”, analisa José Augusto de Castro, presidente da AEB.

PROJEÇÕES PESSIMISTAS

Já em relação às principais expectativas econômicas para 2014, analistas financeiros projetam um cenário mais pessimista do que otimista. A mistura de alta de inflação e baixo crescimento do país dão o tom das previsões que também têm como base o último boletim Focus do Banco Central. O resumo dos principais indicadores da economia brasileira mostrada no documento aponta que o país deve crescer pouco este ano.

Um dos indicadores que colabora com as previsões negativas é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que deve terminar 2014 em 5,95%. Ou seja, a inflação pode chegar à casa dos 6% contra os 5,73% nos últimos 12 meses. Somado a isso, o Produto Interno Bruto (PIB) está com expectativa de expansão menor: 2%, contra os 2,30% de 2013. Já a taxa Selic deve interromper o ciclo constante de alta, mas ainda tendo um leve aumento de 0,5 ponto percentual, ficando em 10,5% até o fim do ano.

Economista do Ibmec-RJ, Gilberto Braga diz que será um ano de ciclo econômico curto em função da Copa do Mundo e as eleições. “As indefinições, se o atual governo se reelegerá ou não, vão paralisar a economia durante boa parte do ano”, avalia.

IPI maior para veículos e renda fixa em alta

O governo federal voltou com o aumento gradual do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos a partir de hoje. Para os carros com motor entre 1.0 e 2.0 flex, a alíquota de IPI, que era de 7%, sobe para 9% neste primeiro dia do ano. E pode retornar ao patamar de 11% em julho, dependendo da análise do governo.

No que se refere a investimentos, a renda fixa deve voltar a liderar esse ano. Com o novo ciclo de alta da taxa Selic e as incertezas no mercado de ações, este caminho foi o mais citado como aposta para aplicar o seu dinheiro. Investimentos mais conservadores devem prevalecer sobre os ativos com maior risco. “Aconselho o investimento no Tesouro Direito que deve ter um rendimento de 11%. E ao que muitos pensam, não precisa de muito dinheiro para investir. Com R$ 100 já dá para começar”, afirma Arnaldo Curvello, diretor de gestão de recursos da Ativa Corretora.

Incertezas na Bovespa e no emprego

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta no último pregão do ano, último dia 30, mas encerrou 2013 com o pior desempenho entre os principais índices acionários globais e, em meio a um cenário repleto de incertezas, especialistas estão pouco otimistas em relação a 2014.

Apesar de a última pesquisa do IBGE, referente a novembro passado, a taxa de desemprego ter recuado para 4,6%, o mais baixo patamar desde 2002, as previsões para este ano são de perda de fôlego das contratações no setor industrial, que sofrerá os efeitos do crescimento menor da economia. Especialistas do setor prevêem apenas o crescimento dos empregos temporários por conta da Copa do Mundo e das eleições.

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