Rio - Que calor, será que vai refrescar? Daria a vida por um ar-condicionado. Vai chover ou não? Vai faltar energia ou não? Vai ter aumento na conta de luz? A verdade é que o governo quebrou contratos do setor elétrico, mudou a regra do jogo no meio da partida e impôs, no ano passado, uma redução de 20% nas tarifas de energia pública. Uma medida muito boa para o bolso do consumidor, mas altamente perigosa para o setor. Investimentos no setor elétrico ficaram ameaçados e a conclusão das obras em andamento, já há muito atrasadas, também.
O racionamento do governo Fernando Henrique Cardoso em 2001, que muito contribuiu para a ascensão do PT ao poder, volta a ameaçar em 2014, no fim do governo Dilma Rousseff. Para escamotear a situação dizem, em todo apagão, que a culpa é de um raio (com toda essa parafernália tecnológica existente, ainda dá para acreditar?) e que a ameaça de blackout se explica porque os reservatórios estão vazios ou com seus níveis muito baixos devido à falta de chuva.
Passaram-se 13 anos e parece que não aprendemos a lição. É terrível constatar que a política energética continua entregue ao amadorismo burocrático, com desculpas esfarrapadas, sujeitando o cidadão ao risco constante de ficar sem energia. Em meio a isso, o calor escaldante do verão com tarifa mais barata, estimulou a compra de ar-condicionados e ventiladores, disparando o consumo de energia em todo o país.
O governo agora, diante do risco real, por meio do ONS — Operador Nacional do Sistema Elétrico — passou admitir o risco “remoto de apagão”. Para tentar remediar o problema vão ligar as usinas térmicas — muito mais poluente — e com custo mais caro, empurrando, mais uma vez, a conta para o consumidor pagar.
Professor de Finanças do Ibmec