Por bferreira

Rio - Policiais federais não podem fazer greve por exercerem atividades equiparadas às dos militares e, portanto, não se encaixarem em categorias que têm o direito de paralisação previsto na Constituição Federal. A decisão é do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que autorizou o governo a descontar os dias não trabalhados durante as greves deste ano.

A medida indignou a categoria, que promete dar mais visibilidade aos protestos nas ruas, com objetivo de chamar a atenção da sociedade para os problemas enfrentados pelos servidores civis. Durante a Copa do Mundo, as manifestações serão intensificadas e a proposta em estudo pela Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) é reduzir os transtornos para a população no período.

Para Gilmar Mendes, o direito de greve não se aplica a servidores que tenham relação direta com a segurança e a manutenção da ordem e saúde públicas. A Fenapef tentou derrubar a decisão da 13º Vara Federal do Distrito Federal que autorizou o corte de ponto, mesmo tendo comunicado as superintendências regionais com antecedência.

Segundo o presidente da Fenapef, Jones Borges Leal, “há muitos anos os servidores públicos brasileiros vivem uma insegurança jurídica em relação aos seus direitos trabalhistas, pois o Governo Federal se omite nas suas regulamentações.”

Elefante branco e carroça são símbolos dos protestos

Policiais enxugando gelo, algemas penduradas, elefantes brancos, mulas e carroças em frente às unidades da Polícia Federal são exemplos da criatividade dos servidores nas manifestações. Segundo a Fenapef, são instrumentos que tornam a leitura do pleito da categoria mais fácil para a sociedade.

“Nossa luta é baseada em pesquisas e estatísticas oficiais. Não há invenção ou exagero nas reivindicações”, explicou Renato Deslandes, diretor de Comunicação da Fenapef.

Segundo o diretor, uma reunião do conselho de presidentes dos sindicatos estaduais, hoje pela manhã, vai determinar os rumos do movimento nos próximos dias.

“Não há preocupação com o corte de ponto porque essa medida é comum. Quem entra em greve sabe dos riscos. O que nos assusta é comparar nossa atividade com a área militar”, defendeu o diretor.

O presidente da Fenapef, Jones Borges Leal acredita que a proibição da greve valoriza a opinião de dirigentes que são contra a paralisação: “Na visão desses sindicalistas, tudo evolui, e não adianta penalizar o cidadão sem o serviço público, e expor o servidor às retaliações paradoxais de um governo cuja ideologia defende os trabalhadores. O que interessa é conscientizar a opinião pública com argumentos verdadeiros.”

Para Renato Deslandes a tendência é intensificar as manifestações, sem deixar de promover greve em alguns setores.

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