Por bferreira

Rio - O Banco Central afastou a existência de uma bolha no mercado imobiliário brasileiro. Durante a apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira ontem, em Brasília, o diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles, rejeitou a possibilidade de uma queda brusca de preços no setor. “Não tem elementos que possam caracterizar essa bolha. Aqui, os preços não sobem sem justificativa econômica.” Meirelles afirmou que, recentemente, o aumento dos preços cresceu mais moderadamente, acompanhando o crescimento de renda da população.

O BC fez um teste projetando o impacto do estouro de uma bolha nas instituições financeiras brasileiras. A conclusão foi de que os bancos resistiriam sem ficar insolventes. Segundo os cálculos da instituição, no caso de uma queda de 33% nos preços dos imóveis, como ocorreu nos Estados Unidos, os bancos não chegariam a ficar insolventes.

Os problemas começariam a partir de uma queda de 45%. Com esse percentual, os bancos ficariam desenquadrados das regras bancárias. Já uma diminuição de 55% dos valores dos imóveis financiados poderia levar uma instituição financeira à insolvência.

“Ambos os choques são maiores do que a queda acumulada ocorrida em um período de três anos, entre os valores máximo e mínimo dos imóveis residenciais nos Estados Unidos durante a recente crise do subprime, de 33%”, acrescentou Meirelles.

O diretor afirmou ainda que o cenário brasileiro é diferente do norte-americano. “Aqui a gente não tem subprime, não tem segunda hipoteca em praticamente nenhuma residência, e mais de 90% dos imóveis são para moradia”, afirmou.

Coordenadora de projetos da construção da Fundação Getulio Vargas, Ana Maria Castelo explica que o país tem regras muito mais restritas para a concessão de financiamentos habitacionais do que os Estados Unidos. Segundo ela, no Brasil, a relação entre o valor do imóvel e o valor dos empréstimos é da ordem de 60%.

“Nos Estados Unidos, ela passou de 100%, ou seja, os empréstimos tinham um valor superior ao valor do imóvel. A gente só pensa em uma queda forte se houver uma crise econômica muito forte”, analisa.

Conforme a especialista, o crédito ainda tem espaço para crescer no segmento. “O crédito imobiliário chegou agora a 8% do Produto Interno Bruto, enquanto em países como o Chile, o percentual é de 12%. Nosso mercado começou a ganhar robustez agora”, diz.

No ano passado, foram financiados 530 mil imóveis com recursos da poupança, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). O volume de vendas aumentou, mesmo com a subida de preços. Segundo o índice Fipe/Zap, que avalia a variação no preço de imóveis, os valores no Rio subiram 15,20% nos últimos 12 meses. A alta de fevereiro foi de 1,08% em relação a janeiro deste ano. Foi a maior variação entre as 16 cidades pesquisadas.

Caixa espera chegar a 154 bi

Os números e projeções apresentados pelo setor imobiliário apontam para um maior acesso ao crédito nos próximos anos. A Caixa Econômica Federal estima que vai conceder R$154 bilhões em empréstimos para o segmento este ano.

Se atingir esta meta, a instituição aumentará em 14% a concessão de crédito imobiliário, em relação a 2013.

No ano passado, os empréstimos concedidos pela Caixa para a compra de imóveis chegaram a R$134,9 bilhões. O volume ultrapassou a previsão de R$ 130 bilhões para 2013.

O crédito imobiliário atingiu recorde em 2013, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança(Abecip). O volume de financiamento habitacional com recursos da poupança chegou a R$ 109,2 bilhões, uma alta de 32% sobre o volume de 2012.

O aumento foi duas vezes maior do que a projeção feita pela associação no início do ano passado, de 15% no aumento da concessão de crédito.

A Abecip prevê que ainda há fôlego para crescer e estima que, nos próximos cinco anos, o valor do crédito imobiliário passe a representar 15% do Produto Interno Bruto do país.

Outra medida que pode estimular o segmento é a aprovação da portabilidade de financiamentos habitacionais. De acordo com a decisão do Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o consumidor poderá transferir sua dívida para um banco com juros e taxas mais baixas.

Com a medida, o Conselho quer estimular a queda dos juros cobrados pelas instituições bancárias.

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