Por bferreira

Rio - O deslize de um candidato ao concurso público para técnico bancário da Caixa Econômica Federal gerou polêmica entre os demais concorrentes. Durante a prova, que ocorreu no último domingo, o estudante postou uma foto do cartão de respostas na rede social Instagram e escreveu: “resumo de hoje... esperar pra ver no que vai dar”. Apesar de o cartão não estar preenchido, ele foi eliminado do concurso. Os demais candidatos, no entanto, pedem que a prova seja anulada.

“Eu imaginei que fosse acontecer algum problema com essa etapa da seleção, pois foi tudo muito desorganizado”, lamentou o concorrente Pedro Romão, 27 anos, aluno do Universo do Concurso. “Na minha sala, os fiscais distribuíram as provas e os cadernos de respostas trocados. Alguns alunos receberam a prova para ‘agência’, com folha de respostas para ‘cofre’, por exemplo”, explicou o estudante. Segundo ele, um dos candidatos percebeu o erro e avisou aos fiscais, que corrigiram.

Além disso, ele conta que um celular tocou durante a avaliação, mesmo dentro do saco plástico lacrado. “Acho que essa etapa deveria ser anulada, em função desses erros”, disse Pedro.

Advogado especializado em concursos públicos, Sérgio Camargo concorda que estabelecer uma nova prova seria a melhor solução. “A pergunta é: será que esse foi o único candidato que ficou com o celular na hora do exame? E se outras pessoas colaram?”, questiona ele.

Porém, a falta de um estatuto que regule os concursos faz com que a banca organizadora tenha que seguir apenas as regras determinadas pelo edital. E, neste caso, fica estipulado que o candidato que publicou a foto será eliminado, mas a prova continua valendo.

“Isso acontece porque refazer toda essa etapa teria um custo muito elevado para a administração pública”, avalia o advogado.

Diretor do site Questões de Concursos, Fernando Bentes conta que alguns candidatos já pensam em recorrer. “Se eles conseguirem demonstrar que realmente houve falta de fiscalização durante a aplicação da prova, pode ser que a Justiça consiga anular o exame”, afirma o professor.

Nas redes sociais e blogs especializados, diversos candidatos reclamam da falta de fiscalização na hora do exame e do atraso no fechamento dos portões.

Candidato foi eliminado pela banca

Em nota, a Cespe/UnB informou que o fato isolado se refere a um documento ainda sem marcação de respostas, por isso, não invalida o concurso. “Durante as provas, o Cespe efetuou o monitoramento das redes sociais, usando ferramentas eletrônicas para essa finalidade e eliminando todos os candidatos que desrespeitaram as regras do edital que rege o concurso”.

O centro enfatiza que a situação mencionada não constitui tentativa de fraude contra o resultado do concurso da Caixa, nem compromete a lisura do certame, tendo em vista que não foi divulgada nenhuma informação sigilosa. “No entanto, o candidato desrespeitou regras editalícias, em particular o subitem 15.21.2 do edital, que estabelece que antes de entrar na sala de provas, o candidato deverá guardar, em embalagem fornecida pela equipe de aplicação, telefone celular ou quaisquer outros equipamentos eletrônicos, sob pena de ser eliminado do concurso”.

Desta forma, o Cespe informa que eliminou do certame o candidato em questão. A banca ressalta ainda que enviará todas as informações obtidas à Polícia Federal.

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