Por bferreira

Rio - A elevação dos impostos de cervejas (em qualquer tipo de embalagem), refrescos, isotônicos e energéticos (apenas aqueles embalados em latas ou vidro), publicada ontem no Diário Oficial da União, poderá resultar em um aumento de 0,4%, em média, sobre o preço dos produtos no varejo, caso a correção seja integralmente repassada ao consumidor. A alta, entretanto, dependerá da indústria, informou o Ministério da Fazenda.

As empresas poderão dosar o impacto do reajuste do tributo sobre o preço final, se existir risco de queda nas vendas. O ajuste publicado ontem não afeta a água mineral nem os refrigerantes, informou o secretário-executivo adjunto da Fazenda, Dyogo de Oliveira.

Conforme analistas do mercado financeiro, esperava-se uma correção maior e abrangendo mais produtos, mas a opção foi minimizar a repercussão sobre os preços. “Está bastante claro que o governo teve, ao tomar a medida, uma preocupação em evitar quaisquer impactos sobre a inflação”, declarou o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall. “Pelos nossos cálculos, o impacto deste aumento sobre o IPCA (índice utilizado na meta de inflação almejada pelo Banco Central) é desprezível”, acrescentou.

O controle da inflação é hoje uma das principais preocupações do governo. Na semana passada, o Banco Central revisou para cima sua previsão de inflação para 2014 (dos 5,6%, previstos em dezembro, para 6,1%).

O fato de os refrigerantes não estarem incluídos na lista de correções também ajudou a minimizar o impacto inflacionário. Conforme o secretário-executivo, a revisão tributária para refrigerantes só será feita em outubro.

A correção anunciada ontem resultará em uma arrecadação de R$ 200 milhões no ano, volume modesto em comparação com a receita total, de R$ 1,2 trilhão em 2013. Dyogo de Oliveira procurou desvincular a medida dos esforços em buscar arrecadação extra para compensar o aumento do custo da produção de energia elétrica. De acordo com ele, a alta já estava prevista e integra um calendário de revisões iniciado em 2012 e que só terminará em 2018.

Indústria diz que tributos já são elevados

A Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), por meio de nota, informa que vê com preocupação a decisão do governo de elevar a carga tributária federal incidente sobre bebidas frias. O setor avalia que haverá dificuldades para as cervejarias absorverem este aumento, dadas as fortes pressões de custo incidentes sobre o setor.

A entidade lembra ainda que, somente nos últimos dois anos, a carga tributária de bebidas frias subiu mais de 20%, o que representa variação superior a oito pontos percentuais em relação à inflação do período. A CervBrasil termina o informe assegurando que, “apesar dessa medida, a indústria mantém seu compromisso com o desenvolvimento nacional e continuará o diálogo com o governo no sentido de garantir o crescimento do mercado; beneficiando assim o consumidor.”

A estudante de Direito, Michele Silva, 28 anos, afirma que está muito caro beber fora de casa. “Não está valendo pagar bebida alcoólica fora de casa, o preço está muito acima do correto. É um abuso pagar R$ 8 em um chope e R$ 9 em uma cerveja. Mas a gente gosta, fazer o quê?”, indaga a jovem.

Já Tarsila Macedo, 31 anos, diz que se o preço da cerveja subir, vai ficar mais complicado para sair. “Se aumentar, terei que ficar em casa”, conta a recepcionista.

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