Comércio amarga 40% de prejuízo

Segundo CDL, perdas aumentaram após dois meses de alterações no trânsito do Centro do Rio

Por thiago.antunes

Rio - O comércio do Centro do Rio registrou perdas da ordem de 40% após dois meses de mudanças no trânsito na região. Os que mais reclamam das alterações são os comerciantes da Avenida Rio Branco, via que teve a proibição do tráfego de carros de passeio. O dado é do Clube dos Diretores Lojistas (CDL-Rio). Constantes engarrafamentos, retirada da maioria das vagas de estacionamento nas ruas e desvio de rotas também contribuíram para a redução do faturamento dos comerciantes, segundo a entidade.

Presidente do CDL-Rio, Aldo Gonçalves não descarta o fechamento de lojas e demissão de funcionários se o setor continuar com queda de vendas. “Por enquanto ainda não temos este cenário, mas o risco de acontecer é grande, caso as vendas continuem caindo. Hoje, tudo dificulta a mobilidade das pessoas no Centro. Tanto de carro como a pé”, avalia Gonçalves.

Também presidente do Sindilojas Rio, Aldo Gonçalves diz que até taxistas estão evitando rodar no Centro. “Eles alegam que não compensa vir para o Centro por conta das restrições de vias e congestionamentos do começo ao fim do dia. Como está difícil chegar à cidade de carro, ônibus e taxi, é natural que falte gente nas ruas para comprar nas lojas”, comenta o comerciante.

Marcelo Servos%2C dono da loja de fantasias Turuna%2C também na Saara%2C diz que teve queda acentuada com as alterações no trânsito do CentroUanderson Fernandes / Agência O Dia

Confecções, lojas de roupas e o comércio da Saara estão entre os mais prejudicados. “Podemos acrescentar o setor de serviços que também está com perdas acentuadas”, afirma. Ênio Bittencourt, presidente da Associação de Lojistas da Saara, diz que o prejuízo dos mais de 1,2 mil comerciantes da região é de 30% a 40%. “Normalmente circulam pelas 11 ruas de lojas que formam a Saara de 70 a 80 mil pessoas por dia. Com as alterações de trânsito e de estacionamento, principalmente na Rua Buenos Aires, esta média caiu para 50 mil pessoas”, reclama ele.

De acordo com Ênio, a principal clientela do comércio popular da região é de revendedores. “São pequenos comerciantes que precisam vir de carro e parar próximo à Saara para levar a mercadoria comprada. O que está cada vez mais difícil agora”, conta o lojista. Para voltar a atrair os consumidores, a saída dos comerciantes é investir em vendas parceladas e descontos à vista, aconselha o presidente da Saara.

Falta de vagas prejudica a Saara

Lojista há 26 anos na Saara, Luiz Antônio Barros, 50 anos, da loja de bijuterias Kacy, diz nunca teve uma redução de vendas tão grande. Ele afirma que o seu lucro caiu 40% desde as mudanças no trânsito. “Estamos muito desanimados aqui na Saara. Como os nossos consumidores não podem mais parar seus veículos aqui por perto, perdemos muitas vendas. As pessoas não conseguem nem mais chegar até nós. Vir ao Centro está virando uma obrigação”, ressalta.

Marcelo Servos, 45, dono da loja de fantasias Turuna, também na Saara, concorda e afirma que teve um prejuízo acentuado com as alterações no trânsito. Ele afirma que aos sábados, como tem um estacionamento aberto na Rua Presidente Vargas, o rendimento na loja aumenta 70%. “As pessoas compravam em grandes quantidades e usavam o carro para levar os produtos. Agora, isso não acontece mais. Todos os comerciantes estão com quedas nas vendas. Até no Carnaval a Saara ficou vazia”, conta.

Uma assinatura que vale muito

Contribua para mantermos um jornalismo profissional, combatendo às fake news e trazendo informações importantes para você formar a sua opinião. Somente com a sua ajuda poderemos continuar produzindo a maior e melhor cobertura sobre tudo o que acontece no nosso Rio de Janeiro.

Assine O Dia