Por helio.almeida

Rio - A educação financeira já é realidade em diversas escolas brasileiras. De acordo com levantamento da DSOP Educação Financeira, a empresa de assessoramento econômico implantou somente este ano um programa próprio com material didático em mais de 1.200 escolas públicas e particulares em 20 estados.

"Os números são muito positivos, demonstrando um crescimento constante de mais de 100% por ano em escolas privadas. Temos observado que muitas escolas estão procurando esses materiais, indo ao encontro de nossa missão, que é disseminar a educação financeira no país", aponta o presidente da DSOP Educação Financeira, Reinaldo Domingos.

A pequena Camila Alcântara escolhe uma boneca na loja de brinquedos. Para especialistas%2C a cultura do consumo não deve ser encorajada pelos pais%2C que podem oferecer outraMaíra Coelho / Agência O Dia

Como O DIA mostrou na reportagem 'Lição contra o consumismo', publicada na edição deste domingo, na cidade do Rio diversas instituições de ensino públicas e privadas já incluíram no seu currículo ou nas atividades extraclassse aulas e projetos sobre sustentabilidade e consumo responsável. "Cada vez mais as escolas trabalham com esses temas e conscientizam os alunos que, por sua vez, educam os pais", explica Edgar Flexa Ribeiro, presidente do Sindicato dos estabelecimentos de Educação Básica do Município do Rio (Sinepe).

De acordo com Reinaldo Domingos, as escolas e prefeituras estão antecipano à Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef) e à Lei 171/09, que tramita no Senado, sobre a obrigatoriedade da educação financeira em escolas das redes pública e privada de ensino.

Veja alguns fatores que motivam a inserção da educação financeira nas escolas

> Um dos grandes desafios globais do século é fazer a sociedade atual repensar hábitos de consumo, substituindo-os por outros mais sustentáveis;

> As profundas mudanças nas economias mundiais têm exigido um reaprendizado de como lidar com as finanças, fenômeno que movimenta governos e instituições a adotarem medidas para habilitar as pessoas a fazerem escolhas conscientes de gastos e investimentos;

> Cerca de 2 bilhões de pessoas entrarão no sistema financeiro formal nos próximos 20 anos. Mas não se sabe se todas essas pessoas estarão capacitadas a fazer as melhores escolhas financeiras;

> Há forte evidência de que lares com baixa educação financeira não planejam a aposentaria, pagam juros mais altos e têm menos bens. E já ficou demonstrado que o nível mais baixo de educação financeira levou as pessoas a ficarem mais inadimplentes;

> No Brasil, as mudanças na pirâmide das classes sociais significam, ao mesmo tempo, maior poder de compra de parcela significativa da população, mas também alto endividamento;

> Crianças são muito observadoras e, desde cedo, começam a perceber que o dinheiro tem força. Ao mesmo tempo, crianças e jovens estão expostos às mensagens publicitárias, que estimulam o desejo de ter. Portanto, importante ensiná-las, o mais cedo possível, de forma lúdica e prazerosa, o quanto é importante ter objetivos, fazer escolhas e que nada é mágico, porém, tudo é possível, desde que o dinheiro seja usado com foco e sabedoria. Isso é papel que pode ser compartilhado entre pais e escolas;

> Escolas são cada vez mais exigidas a oferecer ensino diferenciado e serviços que beneficiem também os pais.

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