TSE determina que Google retire anúncio pró-Aécio da internet

Propaganda de consultoria ensina a “proteger o patrimônio” se houver reeleição de Dilma

Por bferreira

Brasília - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada de uma propaganda favorável ao candidato a presidente Aécio Neves (PSDB) veiculada na internet, por meio de anúncios patrocinados do Google. A decisão em caráter liminar, do ministro Admar Gonzaga, acatou a representação da coligação “Com a força do povo”, da candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT), contra Aécio, o Google e a empresa de consultoria financeira Empiricus, responsável pela promoção dos anúncios.

De acordo com a acusação, a empresa veiculou propagandas na internet dizendo: “Como se proteger da Dilma: saiba como proteger seu patrimônio em caso de reeleição da Dilma” e “E se o Aécio Neves ganhar? Que ações devem subir se o Aécio ganhar a eleição? Descubra aqui”.

A propaganda eleitoral paga é proibida na internet pela Lei Eleitoral. O ministro entendeu que o anúncio deveria ser retirado porque menciona a eleição e “também faz juízo positivo e negativo sobre dois candidatos ao pleito presidencial”.

O sócio-fundador da empresa, Felipe Miranda, afirmou que ainda não foi notificado oficialmente da decisão. Ele argumenta que, originalmente, a empresa lançou três anúncios diferentes, considerando a hipótese de Dilma, Eduardo Campos (PSB) ou Aécio Neves ganharem o pleito. “Os anúncios que receberam mais cliques foram o de proteção ao patrimônio ligado à Dilma e o das ações ligados ao Aécio”, explica.

No site da empresa, fica bem clara a posição contrária ao governo petista. Na página inicial, um texto intitulado “O fim do Brasil” critica duramente a condução da política econômica de Dilma e faz prognósticos de “colapso do sistema econômico”, caso o PT continue no poder. “Teremos disparada da inflação, aumento destacado do desemprego, interrupção do crédito, maior endividamento da população e grande salto do dólar”, diz o texto. Segundo Miranda, não se trata de “terrorismo eleitoral”. “O governo abandonou a meta de inflação, interfere no câmbio e não tem metas fiscais críveis”, avalia.

Ao final da página, a empresa vende um pacote de consultoria para investidores que queiram “ proteger seu patrimônio” em um cenário de crise.

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