Previsão do PIB cai a 0,52%

Mercado financeiro reduz expectativa de crescimento da economia, mas mantém Selic

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Após a confirmação de que a economia brasileira entrou em recessão técnica — com a queda do Produto Interno Bruto (PIB) por dois trimestres seguidos, segundo dados do IBGE — o mercado financeiro ficou ainda mais pessimista. De acordo com o boletim Focus, publicado semanalmente pelo Banco Central, a estimativa de analistas e investidores é que o indicador encerre o ano em 0,52%. Na pesquisa anterior a perspectiva de aumento era de 0,7%.

A trajetória descendente se arrasta por 14 semanas e está bem abaixo dos 2,5% registrados em 2013. A expectativa é de recuperação em 2015, porém a projeção também foi reduzida após duas semanas de manutenção para 1,1%, contra a estimativa anterior de 1,2%.

Já para a política monetária, os economistas consultados pelo Banco Central mantiveram a perspectiva de que a Selic será mantida nos atuais 11% na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom), encerrando o ano neste mesmo patamar. No entanto, para 2015, o mercado voltou a projetar que a taxa básica de juros encerrará em 11,75%, contra 12% no levantamento anterior.

A inflação para o consumidor encerrou agosto com alta de 0%2C12%%2C o dobro da taxa apurada em julhoEBC

O Focus mostrou ainda que as expectativas de inflação sofreram pouca alteração. A estimativa para a alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2014 permaneceu em 6,27%, enquanto para 2015 a projeção subiu 0,01 ponto percentual, a 6,29%. Em relação aos preços administrados, um dos principais vilões da inflação neste ano e que deve continuar em 2015, a projeção de inflação caiu 0,05 ponto percentual para este ano, a 5,05%, e foi mantida em 7% para 2015.

No acumulado do ano, o IPCA vem se mantendo em torno do teto da meta do governo, que é de 4,5%, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos. A expectativa agora fica para a divulgação na próxima sexta-feira dos números de agosto do indicador. Para os próximos 12 meses, no entanto, o boletim Focus mostrou que o mercado manteve a previsão de alta do índice em 6,24%.

Consumidor pagou mais em agosto

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) encerrou agosto em alta de 0,12%. A taxa é o dobro da apurada na última prévia (0,06%), mas está abaixo da registrada no começo do mês (0,16%). A pesquisa é do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV.

O grupo alimentação foi o que influenciou a média ao reverter a queda de 0,01% para alta de 0,13%. Entre os itens que ficaram mais caros está a carne bovina (de -0,54% para 0,34%). No grupo habitação, o índice subiu de 0,27% para 0,34%, puxado, principalmente, pelo condomínio residencial (de -0,28% para 0,05%). Em saúde e cuidados pessoais, o aumento foi de 0,35% ante os 0,27% anteriores.

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