A cada 10 caixas eletrônicos do Rio, dois apresentam defeitos

Equipe do DIA percorreu 40 bancos em nove bairros para levantamento inédito

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio - Cariocas penam silenciosamente com problemas em pelo menos 15% dos caixas eletrônicos instalados nas agências bancárias. O percentual que parece baixo, mas aborrece, foi revelado após O DIA percorrer 399 caixas eletrônicos em 40 agências dos bancos Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica. Neles, 59 estavam fora de operação.

Ao todo foram visitados nove bairros entre os dias 8 e 11. Dos problemas mais comuns, foram encontradas máquinas desligadas, filas longas, falta de ajudantes, equipamentos que não liberam o cartão após o uso e falhas na biometria.

Transtornos mais comuns são máquinas sem sistema%2C identificação biométrica sem leitura%2C sujeiras nas agências e falta de dinheiro para saques dos clientesCarlo Wrede / Agência O Dia

Foram constatadas, também, diferenças de qualidade, como manutenção das máquinas e limpeza, entre as agências localizadas nas regiões Norte e Oeste, em comparação com as da Zona Sul e Centro do Rio.

Os caixas com problemas na Tijuca, Vila Isabel e Méier somaram 27, de 124 instalados (21,8%). Em Bangu e Campo Grande, as máquinas com defeito chegaram a 14, de 59 avaliadas (23,7%).

Já no Centro, de um universo com 112 pontos de atendimento, 10 estavam fora de operação (8,9%). Por fim, em Ipanema, Copacabana e Leblon 10 caixas apresentaram irregularidades, em um total de 95 (10,5%).

Ao ser questionado sobre a diferença de qualidade entre as regiões, um dos bancos justificou que “temos problemas estruturais em relação à qualidade dos serviços de telecomunicação, o que provoca quedas eventuais da comunicação.”

Correntista do Bradesco, Magnete Teixeira, 69 anos, ficou revoltada ao tentar usar o serviço da agência Saens Peña. A idosa enfrentou uma fila de 35 pessoas para ter acesso ao único caixa preferencial. “Essa agência sempre fica lotada, muitos idosos têm dúvidas e contamos com a ajuda de apenas um funcionário. Já reclamei com o gerente, mas nada muda. É falta de respeito com a população”, disse.

De acordo com o levantamento, o Bradesco apresentou 14 caixas com problemas de um total de 101 máquinas avaliadas (13,8%). Em relação a ajudantes, quatro das dez agências visitadas contavam com os profissionais.

A roteirista Maíra Motta, 23, usa uma agência do Itaú na Tijuca com frequência, mas raramente consegue usar o leitor biométrico com perfeição. “Um sistema que era para simplificar a nossa vida e poupar tempo não deveria ser um transtorno, mas sempre é”, afirmou.

A médica Flávia Cardoso%2C com o marido Rafael Neves e o filho Lucas%2C elogia atendimento da agência do Itaú na Rua Bartolomeu MitreCarlo Wrede / Agência O Dia

De 76 caixas do Itaú, a equipe do DIA constatou irregularidades em sete (9,2%). O Banco do Brasil foi o que mais apresentou problemas. Segundo a pesquisa, de 126 caixas eletrônicos, 42 estavam danificados (33,3%).

O militar José Carlos Frazão, 49 anos, contou que tentou sacar R$ 300 no Banco do Brasil, agência no Centro, mas a máquina só liberou R$ 100. Mesmo assim ele foi descontado com o valor integral. “Recorri ao atendimento da agência, ao gerente, ao telefone, e nada. Só recebi meu reembolso uma semana depois. E se eu estivesse precisando?”, questiona.

A Caixa Econômica apresentou 13 máquinas com problemas, de 96 avaliadas nos nove bairros (13,5%). O estudante Altineli Barcelo, 23 anos, reclama das longas filas na agência Rio Branco. “Demoro muito para ir ao caixa eletrônico, mesmo com tantas máquinas. O problema é de infraestrutura”, disse.

Órgãos orientam sobre os direitos dos consumidores

?De acordo com o Procon-RJ e a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), a primeira atitude que o consumidor deve adotar ao perceber problemas em caixas eletrônicos é procurar o próprio banco.

Coordenadora de atendimento do Procon-RJ, Soraia Panella diz que o cliente tem recursos como reclamar com o gerente da agência, usar os telefones de atendimento ao lado dos caixas e, por fim, pode recorrer ao Procon no número 151.

“É necessário que o cliente nos comunique, caso não consiga resolver com o banco. Assim, podemos intervir”, esclarece.

Já a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci, explica que não são apenas os problemas de sistema que devem ser denunciados pelos clientes, mas também o de estrutura, como a limpeza da agência, além de segurança.

“O banco precisa oferecer segurança e ambiente agradável. Então, em casos de agências sem manutenção, o consumidor tem direito de recorrer ao banco e aos órgãos de defesa do consumidor”, explica.

A Proteste também alerta que “os direitos dos consumidores estão assegurados diante das falhas de segurança em caixas eletrônico e a Justiça tem reconhecido essas obrigações com frequência.”

A correntista do banco Itaú Maíra Motta reclama de filas longas%2C falta de ajuda nas agências%2C desorganização e erros na biometriaCarlo Wrede / Agência O Dia

POSICIONAMENTO DOS BANCOS

?FEBRABAN

Por meio de nota, a Federação Brasileira de Bancos esclarece que os bancos brasileiros vêm aperfeiçoando seus sistemas de atendimento ao consumidor “por meio de diversas iniciativas e do sistema de autorregulação, resultado de um ano de conversas com os Procons de todo o país.”

ITAÚ

O grupo Itaú Unibanco informa, também por nota, que o bem estar de colaboradores e clientes é uma preocupação constante. “Por isso, estamos trabalhando para que as agências estejam em perfeitas condições o mais rápido possível.”

CAIXA ECONÔMICA

A Caixa Econômica Federal ressalta que tem preocupação constante em atender bem seus clientes e, por isso, investe constantemente em modernização de equipamentos, sistemas de Tecnologia da Informação, racionalização de processos, contratação e treinamento de pessoal.

BRADESCO

O Bradesco destaca ser prioridade a busca pela eficiência e melhoria de seus produtos e serviços oferecidos nos terminais de autoatendimento. “Nos últimos dois anos, o Bradesco substituiu mais de 11 mil terminais de autoatendimento, visando à modernização do parque”, segundo nota.

BANCO DO BRASIL

O Banco do Brasil mantém constante acompanhamento sobre a disponibilidade de seus terminais de autoatendimento e argumenta que a maioria dos casos registrados pelo DIA sofreu paralização momentânea e já funciona normalmente. “O banco trabalha para concluir a solução das máquinas”, explica em nota.

?Clientes destacam atendimento de bancos

?Em contrapartida aos números apresentados pelo levantamento do DIA, clientes também elogiaram o atendimento e infraestrutura das instituições avaliadas. A médica Flávia Cardoso, 33 anos, diz nunca ter tido problema no Banco do Brasil da Rua Bartolomeu Mitre, no Leblon.

“Frequento a agência e sempre está vazia e limpa. Nunca vi irregularidades aqui”, comenta.
Também na Zona Sul, Lucas Henzel, 23, disse que a agência da Caixa Econômica em Copacabana sempre teve um atendimento satisfatório. “Nunca tive problemas, nem enfrentei dificuldade, como filas ou máquinas sem funcionamento”, diz o estudante.

No Centro, o analista de sistemas Victor Moraes conta já ter ficado com o cartão preso em uma das máquinas da agência Itaú, na Cinelândia. Entretanto, o morador da Tijuca elogia a rapidez no atendimento: “Falei com o gerente que prontamente me ajudou e consegui recuperar o meu cartão em menos de 30 minutos.”

O mesmo aconteceu com a empregada doméstica Lúcia Simões, 40 anos. Ela foi sacar no Bradesco de Vila Isabel, mas o valor que a caixa liberou foi menor do que foi debitado. “Meu gerente resolveu no mesmo dia.”

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