Rio - Com o crescimento da procura por aplicativos de chamadas de táxi, as cooperativas tradicionais passam por um momento de retração de lucro e perda de espaço no mercado. Para driblar essas dificuldades, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Secoop) se preparam para lançar, em 2015, um aplicativo unificado de solicitação de táxis para cooperativas no país. A proposta foi discutida na Expotáxi Brasil, feira do setor, que terminou ontem no Riocentro.
Presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas destaca que as mudanças tecnológicas são inevitáveis, mas o setor precisa agir para não se tornar ultrapassado. “Não queremos ser atropelados, por isso esperamos seguir os avanços no mesmo ritmo”, diz Freitas.
Mesmo assim, o segmento passa por uma previsão de queda, foi o que concluiu Abdul Nasser, advogado da Secoop: “O sistema atual das cooperativas ainda é antiquado. Os usuários não querem mais telefonar, mas sim clicar. E é dessa forma que pretendemos recuperar o nosso espaço.”
DE OLHO NA MOBILIDADE
O aplicativo terá todas as cooperativas do Brasil, que são associadas à OCB, no banco de dados. O usuário solicitará o carro por meio do smartphone, da mesma forma que os dispositivos disponíveis no mercado.
A diferença, conta Nasser, é a preocupação com a mobilidade. “Estamos em estudo de fluxo para oferecer o carro mais próximo do passageiro sem tumultuar o trânsito”, explica.
As organizações também têm o projeto de modernizar a gestão das empresas de táxi. A expectativa, de acordo com Nasser, é que nos próximos três anos existam menos cooperativas, mas com a administração mais consolidada. “Queremos concentrar os taxistas em um número menor de sociedades com mais qualidade”, explica o advogado.
Além disso, a OCB também lançou a Central Nacional das Cooperativas de Transporte de Cargas e Passageiros (Rede Transporte). O sistema prevê a compra em conjunto de materiais entre as cooperativas, visando a redução de custos.
Segundo o representante nacional do ramo de transporte do Sistema OCB, Abel Paré, a rede manterá parcerias com fornecedores para customizar produtos e serviços.
“Teremos preços diferenciados de pneus, recapagens e implementos, combustível, óleo e lubrificantes, entre outros suplementos necessários”, assegura.
Fórum teve novidades
Os visitantes da Expotáxi também conferiram atrações como fóruns, palestras, novidades do mercado automobilístico e da indústria automotiva. Entre as diversas empresas que participaram da feira, estavam Chevrolet, Toyota, Michelin, Banco Bonsucesso, Banco do Brasil, Smartsis, Wappa, Original Software, Auto Escola Irani, Assist Car, Autocab, Crystone e Uniodonto Rio.
O taxista Luciano Felisberto, 36 anos, foi ao evento para ver as novidades do setor. Ele atua no segmento há cinco anos e é um dos profissionais que abandonou as cooperativas e correu para os aplicativos. “A diferença de custo é muito significativa. Enquanto pagava R$ 680 por mês em uma sociedade, no aplicativo não gasto nada”, compara. Mesmo assim, ele reconhece a importância das cooperativas. “Penso em voltar pela segurança e proteção que nós temos nas empresas”, afirma.
Flávio Santana, expositor da Michelin, explica que a presença da empresa na feira é importante para o reforço da marca. “A nossa empresa sempre participa da exposição e pretendemos voltar no próximo ano”, avisa. A companhia de pneus lançou produtos e privilegiou, além da divulgação, a geração de novos negócios. “É um ambiente muito propício para a criação de novas parcerias de qualidade”, afirma Santana.