Com o segundo turno, entram em confronto duas visões para a economia do país

As abordagens de um e outro candidato são bem diversas e os possíveis resultados também

Por thiago.antunes

Rio - Confirmados os dois candidatos que disputarão o segundo turno da eleição presidencial, a presidenta Dilma Rousseff (PT) e o ex-governador Aécio Neves (PSDB), novamente voltam a ser confrontados dois modelos de administrar a economia e o desenvolvimento do país. Se no papel os programas têm propostas parecidas — controle da inflação e da taxa de juros, reforma tributária e a retomada do crescimento —, as abordagens de um e outro candidato são bem diversas e os possíveis resultados também.

Os presidenciáveis estão de olho na inflação, que em setembro chegou aos 6,75% (acima do teto da meta, de 6,50%). Dilma destaca em seu programa de governo que o controle da inflação foi mantido como prioridade e “assim continua”. Ela promete buscar o fortalecimento da política macroeconômica “sólida, intransigente no combate à inflação e que proporcione um crescimento econômico e social robusto e sustentável”.

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A candidata do PT afirma que vai aumentar a taxa de investimento da economia, ampliar o mercado doméstico e expandir investimentos em infraestrutura, além de manter programas de inclusão social e de melhorias na educação. Ela destaca que a “profissão de fé do PT” foi implantar um novo modelo de desenvolvimento “economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente sustentável” e que essa política trouxe resultados positivos em todos os campos, lembrando que, se em 2002 a inflação anual chegou a 12,5%, em 2013 fechou em 5,9%.

Já o candidato tucano Aécio Neves promete manter a inflação no centro da meta e cumprir os compromissos de superávit primário e câmbio flutuante. Segundo ele, a autonomia do Banco Central é estratégica para manter a taxa de inflação na meta de 4,5% ao ano. O representante do PSDB diz que assim, a partir daí, a meta será reduzida gradativamente. Ele defende a geração de um superávit primário para diminuir a dívida pública do país em comparação ao PIB. Garante criar um ambiente de segurança jurídica para atrair investimentos e fazer acompanhamento e avaliação dos gastos públicos.

Em recente debate na TV entre o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o provável chefe da pasta, numa eventual vitória tucana, Armínio Fraga, os dois expuseram o que querem para a economia do país. Veja ao lado algumas das opiniões.

Dilma Rousseff

- Questão fiscal

“Nós tivemos um comportamento fiscal muito rigoroso. Procuramos manter o superávit elevado. Antes de começar a crise (em 2009), tivemos que fazer política anticíclica, que talvez ele (Armínio Fraga) não tivesse feito, o que significou reduzir tributos para dar competitividade. Porém, nossa dívida é menor. Recebemos uma dívida de 60% do PIB. Hoje está em 35%. A taxa de juros real média no período dele foi de 13,5%. Hoje, está em 4,5%”, explica o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

- Banco Central

A presidenta Dilma Rousseff, se mostra contrária a qualquer mudança na autonomia do Banco Central. O ministro afirma que Dilma chegou a dizer que a independência da instituição significaria “entregar aos banqueiros um grande poder de decisão” sobre juros, empregos, preços e salários.

- Inflação

“Nós temos uma pressão inflacionária um pouco maior neste ano. Mas a pressão dos alimentos vai cair e a inflação vai ficar dentro da meta. Hoje em dia, nós temos reservas e um endividamento menor. A economia é muito mais sólida do que na época do FHC e podemos manter a situação sob controle. Faz 12 anos que cumprimos a meta de inflação, apesar das pressões que temos sofrido”, destaca o ministro Guido Mantega.

- Bancos públicos

“Os bancos públicos brasileiros são muito bem geridos, têm eficiência que pode ser constatada pelas margens de rentabilidade e pela inadimplência, com níveis menores do que o setor privado. Nós dobramos o investimento. Sem o BNDES, não estaria havendo compra de máquinas e equipamentos”, explica Guido Mantega.

Aécio Neves

- Questão fiscal

“A questão fiscal é crucial, mas não é tudo. Eu também propus mecanismo anticíclicos. O problema é que quando se inventa uma crise, deixamos de lado os problemas reais do país. Temos que fazer uma reforma tributária profunda, parar de desonerar as importações e não penalizar os investimentos. A proposta é arrumar a casa para crescer a 4% e gastar com o que realmente importa”, diz Fraga, provável ministro da Fazenda, num eventual governo de Aécio.

- Banco Central

A proposta é dar autonomia operacional ao Banco Central e garantir que a autoridade monetária trabalhe também para suavizar as flutuações do ciclo econômico e zelar pela estabilidade financeira. Segundo o candidato tucano, o BC deverá, assim, levar a taxa de inflação para a meta de 4,5% e depois atingir os 3%, reduzindo também a banda de flutuação — que hoje está em 2 pontos percentuais para mais ou para menos — para 1,5 ponto percentual. O programa, no entanto, não informa o prazo e nem de quanto será a redução.

- Inflação

“Há uma sensação que é de 6,75%, mas poderia ser mais. Não temos mais espaço para correr riscos. A inflação está bastante alta e o crescimento muito baixo, o que sugere um problema mais sério. O Brasil vai crescer 2 pontos percentuais abaixo da América Latina este ano, o que não é nem de longe um bom padrão. O governo relega ao Banco Central o controle da inflação, mas mantém outras políticas que a facilitam”, alega Armínio Fraga.

- Bancos públicos

“Precisamos ter juro baixo para todo mundo, não só para quem toma dinheiro emprestado do BNDES. Precisamos de um modelo que se alavanca em cima do mercado. Os bancos públicos têm o seu papel. Mas acho que deveriam ter mais critério porque é um recurso escasso. Não acho que deveriam emprestar a empresas que podem recorrer ao mercado, como a Petrobras”, diz o economista Armínio Fraga.

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