Alta do dólar vai deixar ceia de Natal até 10% mais cara

Preços de produtos como azeite e bacalhau sofrerão impacto antes do fim de ano

Por bferreira

Rio - A ceia de Natal vai ficar mais cara este ano. Diante da incerteza com o resultado das eleições presidenciais e, consequentemente, qual política econômica será adotada no próximo governo, o dólar tem operado em alta ante o real nos últimos dias. Ontem, a moeda fechou cotada a R$2,47, com elevação de 0,52%. A valorização da divisa impacta diretamente nos preços dos principais itens dos pratos de fim de ano, como azeite, vinho, bacalhau e nozes. A estimativa do mercado é que haverá aumento de até 10% no valor desses produtos.

Gerente de casa especializada%2C Simone Oliveira garante que só vai aumentar os preços quando precisar renovar os estoques atuais%2C comprados ainda com o dólar baratoJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Presidente da Associação dos Supermercados do Rio (Asserj), Aylton Fornari explicou que as negociações para importação começaram em setembro, mas o câmbio das compras ainda não fechou, por isso é muito provável que a alta seja repassada. “Os produtos vão ficar mais caros, pois os supermercados vão pagar mais por eles”, diz.

Porém, para o economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, André Braz, a alta depende também de outros fatores. “Os vinhos, por exemplo, têm concorrência boa com a produção nacional, por isso não devem subir tanto. Mas outros produtos, como nozes, castanhas e avelãs podem ficar de 5% a 10% mais caros”, avalia.

Gerente das Casas Pedro, especializada em artigos de Natal, Simone Oliveira conta que ainda não sentiu o efeito do dólar. “A moeda não influenciou nossas compras, até porque encomendamos o estoque antes da alta agressiva. Mas esperamos aumento nas vendas. Então é possível que tenhamos que comprar mais. De qualquer forma, é provável que os preços subam cerca de 10% até o Natal”, alerta.

Para evitar os preços mais altos, a dica é esperar até dezembro, mês no Natal, e ficar de olho nas promoções.

“Quem compra agora corre o risco de pagar mais caro, pois as mercadorias acabaram de chegar no mercado. Além disso, há a possibilidade de o produto estragar até as festas. O melhor é esperar até o artigo aparecer em diversos estabelecimentos. A concorrência deve baixar preços. Comprar agora só vale a pena se for uma grande oferta”, aconselha Braz.

A vendedora Luiza Sampaio, 59 anos, criticou os preços altos e a possibilidade de aumento, mas diz que não vai abrir mão dos itens tradicionais da ceia.

“Todo ano compro cerca de três quilos de bacalhau, mas como os preços subiram muito em 2014, eu pretendo comprar menos. Todos os produtos estão caros. Mesmo assim, não tem como passar o Natal em branco”, afirma a consumidora.

No momento, o quilo do bacalhau nos principais supermercados e lojas especializadas da cidade está entre R$ 25 e R$ 40. A garrafa de azeite custa em torno de R$ 7 e R$ 18; vinho de mesa entre R$ 15 e R$ 30; e nozes de R$ 12 a R$ 20, a porção.

Prévia da inflação oficial fica em 0,48% este mês

A prévia do indicador oficial da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), ficou em 0,48% em outubro. Em setembro, o resultado registrado foi de 0,39%. Mas o percentual é igual ao do mês de outubro do ano passado, segundo informou ontem o IBGE.

De acordo com dados do instituto, o IPCA-15 acumula taxas de 5,23% no ano e 6,62% no período de 12 meses, que supera o teto da meta de inflação do governo, que é 6,5%.

Pesaram no resultado gastos com alimentos. A despesas desse segmento tiveram taxa de 0,69%, influenciada principalmente pelo aumento de preços de 2,38% das carnes, de 3,52% da cerveja, de 1,75% do frango e de 1,35% do arroz.

Já os gastos com habitação tiveram influência relevante na prévia da inflação oficial de outubro, com uma taxa de 0,8%. Os consumidores sentiram impacto principalmente da energia elétrica, com alta de 1,28% e de gás de cozinha, de 2,52%.

O custo com roupas subiu 0,7%. Os demais grupos registram alta, como despesas pessoais de 0,4%, saúde e cuidados pessoais de 0,37%, transportes de 0,25%, artigos de residência de 0,13% e educação de 0,08%. O grupo comunicação não teve inflação.

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