Alta de 148% faz cebola virar a vilã da inflação

Produto encarece nas prateleiras dos mercados e eleva IPCA a 0,7 9% em junho

Por bferreira

Rio - Nunca foi tão caro preparar uma salada ou temperar a comida usando ingrediente tão comum na culinária. No mês passado, o preço da cebola fez a inflação dar um saldo considerável levando o consumidor quase às lágrimas na hora de pagar a conta do mercado. Segundo o IBGE, o produto teve alta de 23,78% em junho, acumulando elevação de 148,13% nos últimos doze meses. O alimento ajudou a pressionar o IPCA, a inflação oficial do país, empurrando o indicador a bater na casa dos 6,17% no primeiro semestre do ano, conforme divulgou ontem o IBGE. Somente em junho, a inflação chegou a 0,79%, contra 0,74% de maio. É o percentual mais alto registrado para os meses de junho desde 1996.

O aposentado Arnaldo Moura notou o quanto o preço da cebola subiu. Para fazer saladas%2C ele prefere a roxaMárcio Mercante / Agência O Dia

Com o resultado do primeiro semestre do ano, o IPCA fechou bem acima dos 3,75% que foram registrados no mesmo período de 2014. É a taxa mais elevada para o período de janeiro a junho desde 2003, quando ficou em 6,64%. Em um ano, o indicador acumula alta de 8,89%, o maior patamar desde dezembro de 2003, quando ficou em 9,30%.

Outro item que compõe a salada e que pesou no bolso do consumidor foi o tomate. Apesar queda de preço entre maio e junho da ordem de 12,27%, o produto amargou elevação de 58,28% em doze meses. Nos mercados no Centro do Rio, os preços do quilo do tomate variam de R$ 5,69 a R$ 7,99. Já os da cebola vão de R$ 8,99 a R$ 9,88, o quilo.

Um dos motivos do encarecimento desses produtos foi a conta da luz que subiu, em alguns casos, acima de 40%, uma vez que os alimentos precisam de bastante irrigação. Com a falta de chuvas, os produtores usaram maquinários nas plantações que gastam muita energia elétrica.</CW>
Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índice de Preços do IBGE, a energia elétrica que sofreu fortes reajustes nos meses anteriores também contaminou os valores das taxas de água e esgoto de 4,95%, contribuindo com o avanço do IPCA de maio para junho. A taxa de água e esgoto foi o terceiro item de maior impacto no IPCA de junho — 0,07 ponto percentual —, refletindo reajustes São Paulo, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Rio de Janeiro e Recife.

Apesar de sucessivas altas a Selic, da taxa básica de juros, para 13,75% ao ano, a política monetária do governo não tem conseguido conter a elevação dos preços em cenário de baixa atividade. A meta do governo é de manter a inflação em 4,5%, com teto de 6,5%, no período oficial de janeiro a dezembro.
Morador da Lapa, o aposentado Arnaldo Moura, 61 anos, tem notado quanto o preço da cebola vem subindo. “Sempre compro para fazer saladas. Gosto da cebola roxa, mas além de andar sumida está muito mais cara do que a branca”, diz.

Jogar na loteria também fez pressão

Quem está acostumado a fazer uma “fezinha” em jogos de loteria não imagina que o aumento do preços das apostas também influenciou e muito a inflação do mês passado. Segundo o IBGE, valor das apostas teve aumento de 30,80% em junho. Foi o principal impacto individual, de acordo com o instituto, sobre o IPCA.

Levando em conta os meses de maio e de junho, o aumento nos preços dos jogos de loteria chegou a 47,50%, resultado reajustes nos valores que entraram em vigor em 18 de maio. A alta dos jogos foi responsável por elevar o índice do mês em, 0,12 ponto percentual.

Já os custos com empregado doméstico tiveram alta de 0,66% e impactaram o IPCA de junho, devido ao peso dessa despesa no orçamento das famílias.

Também exerceu impacto na alta do IPCA de junho o grupo transportes que, sob pressão das passagens aéreas, apresentou variação de 0,7%, sendo influenciado ainda pelos serviços de conserto de automóvel (1,7%), compra de automóveis usados (0,78%) e tarifas de ônibus urbano (0,4%).

No grupo habitação, com alta de 0,86%, artigos de limpeza subiram 1,52%, condomínio (0,92%) e aluguel residencial (0,66%). Os preços dos remédios tiveram reajuste, acumulando alta de 6% no ano e variando 0,64% em junho. Os gastos com saúde e cuidados pessoais subiram 0,91%.

Outras altas foram dos aparelhos de TV, som e informática (0,84%), pressionando os artigos de residência, cuja variação foi de 0,72%, e de roupas masculinas (1,13%), influenciando a variação do grupo de gastos com vestuário (0,58%).

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