Caixa sobe juros da casa própria

É o terceiro aumento no ano de financiamentos com recursos da poupança para contratos novos

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - A Caixa Econômica vai aumentar os juros para financiar a casa própria com recursos da poupança, pela terceira vez no ano. Quem fechar contrato com o banco a partir do próximo dia 1º, vai ter um peso extra no bolso. O novo reajuste foi justificado pelo banco como uma reação ao alto patamar da taxa de juros oficial do país (Selic, hoje a 14,25% ao ano).

Os novos percentuais variam conforme o grau de relacionamento do cliente com a Caixa. Para correntistas do banco e também servidores públicos, que financiam imóveis pelo Sistema Financeiro Habitacional (SFH), a taxa passa a ser de 8,8% para 9,30% ao ano.

Para quem não é correntista da Caixa, os juros subirão de 9,45% para 9,90% ao ano. Para os correntistas do banco, sobe de 9,30% para 9,80%. O SFH financia imóveis de até R$ 650 mil ou R$ 750 mil, dependendo da cidade, com recursos da caderneta de poupança.

O reajuste foi justificado pela Caixa Econômica como uma reação ao alto patamar da taxa de juros do paísAgência O Dia

Os financiamentos do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), destinado a imóveis acima de R$ 750 mil, também ficarão mais caros. A taxa para correntistas da Caixa e para servidores públicos passarão de 10,20% para 10,50% ao ano. Para mutuários sem conta na Caixa, a taxa aumentará de 11% para 11,50% ao ano. Para os imóveis comerciais, no SFI, os juros subirão de 12% para 14% ao ano.

Em janeiro e em abril, o banco já havia aumentado as taxas. Também em abril, a Caixa diminuiu o limite de financiamento. O teto caiu de 90% para 80% do valor do imóvel no Sistema de Amortização Constante (SAC). Mesmo entrando em vigor um novo aumento, o professor dos MBA’s da Fundação Getulio Vargas (FGV), Roberto Kanter, explica que a alta poderia ser maior. “O banco fez uma adequação necessária de taxas, já que a inflação está nas alturas, assim como a Selic. Mesmo assim, as taxas continuam abaixo da inflação”, lembra o especialista.

Além disso, Koner alerta que o movimento natural do mercado é que outros bancos, públicos e privados, sigam o mesmo caminho da Caixa. “Quem pretende comprar uma casa, recomendo que faça agora. As taxas só tendem a aumentar”, enfatiza.

Entretanto, com tantas medidas para restringir o crédito imobiliário, os brasileiros estão adiando o sonho da casa própria. Só em julho, o volume de financiamentos caiu 42,7% em relação ao mesmo período de 2014. A pesquisa da Abecip sinaliza a elevação das taxas de juros como um desestimulador para novos contratos.

Governo estuda reduzir compulsório

O governo federal estuda reduzir os depósitos compulsórios — que os bancos são obrigados a recolher diariamente aos cofres do Banco Central (BC) — como forma de direcionar recursos ao agronegócio, disseram fontes a par do assunto.

O governo recebeu sinalização positiva de representantes do próprio setor financeiro, disse uma das fontes. Isso porque parte dos recursos para o agronegócio vem dos depósitos à vista, que têm diminuído em função da crise econômica. Mas o governo ainda não bateu o martelo a favor da flexibilização por duas razões, disse a fonte. Uma delas é a forma de comunicar a decisão, para evitar críticas de que está praticando expansão monetária. A outra é para certificar-se de que os recursos iriam mesmo para o agronegócio, em vez de usarem em títulos públicos.</CW><CW-15> (Reuters)

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