Crise aumenta saques da caderneta de poupança

Retiradas em setembro superaram depósitos em R$ 5,2 bilhões, segundo o Banco Central

Por bferreira

Rio - Pelo nono mês seguido, a caderneta de poupança registrou perda de recursos no mês passado. Segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central, os correntistas retiraram R$ 5,293 bilhões a mais do que depositaram em setembro. A caderneta registrou a pior captação líquida (diferença entre depósitos e retiradas) da história para o mês.

No mês passado, os brasileiros depositaram R$ 158,178 bilhões na poupança, mas retiraram R$ 163,471 bilhões. O resultado negativo de setembro apresentou leve melhora em relação ao de agosto, quando a captação líquida tinha ficado negativa em R$ 7,502 bilhões, mas os números acumulados no ano continuam com recorde negativo.

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De janeiro a setembro, os investidores sacaram R$ 53,791 bilhões a mais do que depositaram na poupança, também a pior captação líquida registrada para o período. Nos nove primeiros meses do ano, os depósitos somaram R$ 1,391 trilhão, mas os saques totalizaram R$ 1,445 trilhão.

A fuga de recursos da caderneta de poupança, segundo especialistas, é agravada pela crise econômica, devido ao aumento da taxa de juros, a inflação e o endividamento das famílias. De acordo com o diretor executivo de estudos e pesquisas econômicas da Associação Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, a alta da Selic (taxa básica de juros da economia) tornou a poupança menos atraente que outras aplicações.

Ele explica que a caderneta é mais vantajosa do que os fundos de investimento apenas quando as aplicações são inferiores a seis meses, apesar de a poupança ser isenta de Imposto de Renda e de taxas de administração.

O especialista afirma que a alta da inflação também contribuiu para a perda de atratividade da poupança. Nos últimos 12 meses, a caderneta rendeu 7,78%, o equivalente à Taxa Referencial mais 6,17% ao ano. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no entanto, está em 9,53%, puxada pela alta de preços administrados, como combustíveis e energia. Ribeiro acrescenta que o aumento dos preços e do endividamento dos consumidores também diminui a sobra de recursos a ser aplicada na caderneta.

“As famílias estão sendo obrigadas a resgatarem seus investimentos de forma a complementarem sua renda e conseguirem pagar seus compromissos”, afirma o diretor da Anefac.

A redução do saldo da poupança tem impactado o crédito imobiliário, que usa a poupança para financiamento de imóveis. O Conselho Monetário Nacional (CMN) remanejou R$ 22,5 bilhões de compulsórios dos bancos para compensar a queda. (Com Agência Brasil)

Dólar cai 1% e vai para R$ 3,85

Em queda pela terceira sessão seguida, o dólar comercial fechou ontem no menor valor em três semanas em relação ao real. A moeda americana encerrou o pregão vendida a R$ 3,843, em queda de 1,48%. A cotação caiu para o menor nível desde o último dia 16 (R$ 3,834).

A moeda foi negociada em queda durante toda a sessão. Na mínima do dia, por volta das 12h, chegou a ser vendida a R$ 3,835. Durante a tarde, a cotação oscilou em torno de R$ 3,84. A divisa caiu 3,1% em outubro, mas acumula alta de 44,5% em 2015.

O Banco Central (BC) deu prosseguimento à rolagem (renovação) dos contratos de swap cambial, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro. A autoridade monetária renovou 10.275 contratos que venceriam em novembro. Em outubro, o BC rolou US$ 2,05 bilhões de contratos que venceriam no próximo mês, o que equivale a 20% do lote total. Na rolagem, o BC não leiloa novos contratos de swap, apenas prorroga o vencimento dos contratos em circulação.

Contribuiu para a queda do dólar no Brasil dados sobre o comércio exterior dos Estados Unidos divulgados ontem. Em agosto, o país exportou US$ 185,1 bilhões, queda de US$ 3,7 bilhões em relação ao mês anterior.

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