Por bferreira

Rio - Um perfil dos negócios das favelas cariocas será lançado hoje na Feira do Empreendedor 2015, que ocorre até domingo no Riocentro. O estudo está sendo divulgado em primeira mão para o DIA.

Fábio Pimenta abriu restaurante para ficar mais tempo com a famíliaUanderson Fernandes / Agência O Dia

A pesquisa feita pelo Data Favela em parceria com o Sebrae, considerou um universo de 7.048 clientes formais em comunidades, atendidos pelo Sebrae. Segundo o levantamento, a oferta de serviços e o consumo local são os traços mais marcantes das comunidades do Rio, onde 94% dos empreendedores cariocas trabalham por conta própria. A média de idade deles é de 43 anos e a escolaridade é de sete anos de estudo.

A pesquisa apontou que a maioria dos negócios é gerido por negros e mulheres, que empreendem por necessidade. A gastronomia é sua principal atividade econômica, com 18,5% dos analisados; seguida por comércio varejista em geral (mercados, mercearias, armazéns) com 17,6%; beleza com 11,7%; e serviços de obras e manutenção, com 7,8%.

Segundo o Sebrae/RJ, a média de negócios em favelas não diminuiu com a crise econômica ao contrário do restante do país. O principal motivo é o consumo de proximidade que os empreendedores de comunidades criam. “Não há uma percepção de queda nesse consumo”, afirma Eduardo Magalhães, analista de Empreendedorismo em Pequenos Negócios em Comunidades do Sebrae/RJ.

Segundo Magalhães, o empreendedor de comunidades é muito diferente dos de outros lugares, pois além de obter lucro, ele possui uma grande ligação com o local em que vive. “Geralmente eles têm muita vontade de estarem ali”, acredita o especialista. “Querem inclusão e melhorar a percepção de vida, têm uma potência enorme em si”, conclui.

Fábio Pimenta é exemplo do que Magalhães fala. Pimenta é dono do Barlacubaco, badalado restaurante no Vidigal criado há seis anos. Ele que era motorista de van queria ficar mais perto da família e ter um lugar em que pudesse relaxar na favela. “Abrimos por achar que o Vidigal precisava de um lugar legal”, diz.

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