Professores pressionam governo para retirada de proposta

Docentes da rede municipal não concordaram com Plano de Cargos e Salários apresentado pela Câmara

Por thiago.antunes

Rio - Após nove dias de trégua, os professores da rede municipal retomaram nesta sexta-feira a greve da categoria, desta vez em protesto ao Plano de Cargos, Carreiras e Salários enviado pelo governo à Câmara dos Vereadores, terça-feira. Os mais de mil docentes saíram da assembleia no Club Municipal,na Tijuca, e seguiram para a sede da prefeitura, na Cidade Nova. Lá, 50 deles ocuparam o 13º andar do prédio por mais de cinco horas, exigindo reunião com o prefeito Eduardo Paes, na segunda-feira, para derrubar o novo plano. As tentativas foram frustradas, e eles só deixaram o prédio com a chegada de uma tropa de operações especiais da Guarda Municipal.

Chefe da Casa Civil%2C Pedro Paulo se reuniu com professoresLeitor Leandro Santos

Para o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio (Sepe-RJ), o projeto de lei não atende às reivindicações do setor e exclui 93% da categoria, contemplando apenas professores do turno único.

“A nova greve voltou mais forte. Tentamos dialogar com o governo, que mostrou fazer uma política nefasta na Educação. Essa mobilização mostrou que a categoria está disposta a lutar”, disse Renan Morais, coordenador do Sepe.

No início da ocupação, os docentes foram recebidos pelo chefe da Casa Civil, Pedro Paulo Teixeira, que ofereceu reunião na terça. Eles recusaram. Cerca de duas horas depois, ele novamente tentou negociar pelo telefone com a coordenadora do Sepe, Susana Gutierrez, para um encontro na segunda, às 18h. Mas os mestres queriam a presença do prefeito. “É ele que tem poder de derrubar o projeto na Câmara. Só ele pode resolver isso”, declarou Gesa Linhares, do Sepe.

O clima ficou tenso: as luzes do corredor foram apagadas por alguns instantes, e o banheiro e as portas, fechadas. Advogado do Sepe, Jorge Bucão foi impedido de entrar por guardas com cães que estavam no saguão do prédio. “Queremos só garantir o direito do nosso advogado subir. Fomos recebidos por cachorros”, disse o professor Felipe Formoso, de 31 anos.

Por volta das 19h30, seis homens do Grupo de Operações Especiais da Guarda Municipal, com escudos, cassetetes e capacetes, retiraram cadeiras e pedaços de pau que estavam no chão do corredor.

As negociações foram conturbadas e os docentes deixaram o local às 20h15.

Estado: Assembleia na quinta-feira

Em greve desde o dia 8 de agosto, professores da rede estadual realizaram nova assembleia na escadaria da Alerj no fim da tarde. A ampla maioria decidiu manter a paralisação e marcou nova reunião na quinta-feira, às 14h. O local do encontro ainda não foi divulgado. Cerca de 200 professores estão acampados em 37 barracas desde o dia 11. “O sacrifício vai valer a pena quando o governo aceitar dialogar”, disse Renata Tavares, professora de História de uma escola de Cabo Frio.

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