Ensino Médio no Rio salta 11 posições e é 4º no ranking

Queda em 16 estados influenciou avanço. Ideb 2013 dá nota 3,6 à Educação fluminense

Por thiago.antunes

Rio - O Rio de Janeiro voltou a saltar, pela segunda vez seguida, 11 posições no ranking nacional do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). As escolas fluminenses de Ensino Médio subiram da 15ª para a 4ª posição, em 2013, com nota 3,6, batendo a meta de chegar este ano entre os cinco melhores estados. Apenas Goiás, com 3,8; São Paulo e Rio Grande do Sul, com 3,7; ficaram à frente do Rio.

A promessa havia sido feita pelo governo do estado, em 2009, após um vergonhoso penúltimo lugar, quando o Rio obteve 2,8, e ficou à frente só do Piauí. O avanço na rede pública fluminense, medido pela avaliação do Ministério da Educação (MEC), não foi acompanhado por outros 16 estados que tiveram queda no índice, como São Paulo (3,9 para 3,7) e Santa Catarina (4 para 3,6).

Alunos do Colégio Estadual José Leite Lopes/Núcleo Avançado em Educação%2C que funciona em tempo integral%3A uma das 34 escolas inovadoras reconhecidas pela MicrosoftAndré Luiz Mello / Agência O Dia

Divulgado a cada dois anos, o Ideb é o principal indicador de qualidade do ensino brasileiro. O índice varia de 0 a 10 e leva em conta taxas de aprovação, abandono e pontuação dos estudantes em Português e Matemática, na Prova Brasil. As projeções para 2013 não foram alcançadas pelas escolas da prefeitura do Rio. Nos anos iniciais (1º ao 5º ano do Ensino Fundamental), o Ideb da rede baixou de 5,4 para 5,3. A meta era 5,6. No segundo seguimento (6º ao 9º ano), a média se manteve em 4,4, também abaixo dos 4,6 projetados pelo MEC.

“Estamos satisfeitos com o resultado, porque apesar de termos enfrentado 80 dias de greve, o índice se manteve estável, o que mostra a consistência do aprendizado”, afirmou a secretária da rede municipal Helena Bomeny. O resultado também foi comemorado pelo secretário estadual de Educação, Wilson Risolia. “Voltamos a estar no lugar que o Rio merece. Sempre confiamos nos nossos professores e alunos. Eles mostraram que são muito bons. Esse resultado comprova, ainda, que estamos no caminho certo e que nossos investimentos e planejamento deram resultados”, ressaltou.

Clique na imagem para ampliarArte%3A O Dia

Entre as ações destacadas por Risolia estão o reforço escolar, que recebeu 225 mil dos 900 mil estudantes da rede e a formação continuada de 30 mil professores nos últimos três anos. Na rede estadual, o índice é puxado por escolas de referência, como o Colégio Estadual José Leite Lopes/NAVE (Núcleo Avançado em Educação), que atende 415 alunos em tempo integral, das 7h às 17h. “Somos uma das 34 escolas inovadoras reconhecidas pela Microsoft. Aqui, 72% dos nossos alunos chegam à universidade”, reconhece a diretora Ana Paula Bessa.

Média de escolas privadas é superior à da rede pública

A rede particular de ensino não alcançou nenhuma das metas. Mesmo assim, o desempenho delas é superior ao da pública. Nos anos iniciais a projeção era que essas escolas atingissem o índice de 6,8, mas ficaram com 6,7.

O Brasil não atingiu as metas no 6º ano e no Ensino Médio. A meta para 2013 só foi atingida no Brasil no primeiro seguimento (1º ao 5º ano do Ensino Fundamental). A projeção para o Ensino Médio era 3,9, mas a média nacional ficou em 3,7. Nos anos finais, a meta era 4,4, mas o resultado foi de 4,2. Já nos anos inciais, a meta de 4,9 foi batida pela nacional de 5,2.

Apenas 2.125 municípios brasileiros atingiram as metas para o 9º ano

Dos 5.369 municípios brasileiros, apenas 2.125 atingiram as metas para o 9º ano na rede pública, o equivalente a 39,6%. No Ensino Médio, as escolas federais alcançaram 5,6 no Ideb, enquanto as particulares obtiveram 5,4. Especialistas concordam que os últimos anos antes do diploma são o gargalo do ensino.

O ministro da Educação, Henrique Paim, disse que a expectativa era que a evolução dos primeiros anos impactasse progressivamente os anos finais e o Ensino Médio. “Precisamos avançar na formação de professores e tornar o currículo mais atrativo, com a construção de uma base nacional comum”, disse Paim.

Para ele, as mudanças devem se guiar pelas diretrizes do Plano Nacional de Educação (PNE) e do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Ao justificar o atraso na divulgação do Ideb, que só foi liberado ontem, Paim disse que foi preciso cuidado em checar os dados porque “o resultado do Ideb coloca em xeque a gestão dos estados e dos municípios”.

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