Por bianca.lobianco

Rio - Um grupo de cerca de 20 peregrinos da Catedral de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, levou uma faixa com os rostos das 242 vítimas da Boate Kiss estampados, como forma de protesto, durante a visita do Papa na comunidade de Manguinhos, na Zona Norte, na manhã desta quinta-feira.

Segundo Thiago Torres, eles esperam que o ato chame a atenção do Papa para que ele veja os jovens mortos no incêndio da casa noturna, tragédia que aconteceu em janeiro deste ano. "Estamos clamando por justiça. Muitos que morreram na boate gostariam de conhecer o Papa. Perdemos amigos e parentes lá", desabafou.

O Papa chegou de papamóvel na comunidade, e durante o trajeto, Francisco abençoou crianças que eram levadas até ele pelos seguranças.

Amigos de vítimas de incêndio na boate Kiss clamam por justiça Diego Valdevino / Agência O Dia






A dona de casa Roberta Alves Ferreira, de 31 anos, levou sua filha, deficiente física, Laiene Alves da Costa, de 12 anos e o filho Pablo Miguel, de 1 ano e 5 meses, para tentar conseguir uma cirurgia para a adolescente. Laiene tem paralisia cerebral e tetraparesia, recentemente a jovem tirou dois cânceres da garganta. Moradoras do Mandela 2, elas acreditam que o poder do Papa pode sanar os problemas de saúde da jovem.

"Cheguei às 9h da manhã aqui com os meus filhos só para ver o Papa e pedir por uma cirurgia para as pernas da minha filha, pois tenho esperança que ela volte a andar. Confio no benção do Papa. Vai que se ele botar a mão nela, ela não levanta da cadeira e começa a andar?, indagou.

Fátima Marques, de 44 anos, saiu de Guadalupe para ver o Papa Francisco no conjunto de favelas de Manguinhos: "Sou católica desde criancinha e não poderia perder este momento, já que não vi o João Paulo II em sua visita ao Rio. Só o fato de ele olhar pra mim já saí daqui com uma mulher abençoada. Recentemente passei por uma cirurgia e vim pedir a cura".

Papa chega de papamóvel à comunidade de VarginhaCarlos Moraes / Agência O Dia

Prostesto contra o desarmamento

Um protesto pacifico da ONG alemã World Future Council também está sendo feito na Rua Leopoldo Bulhões. Os participantes colocaram uma estrutura de um tanque bélico coberto por vários pães vencidos para chamar a atenção para o desarmamento.

Segundo o idealizador do projeto da ONG, Holger Gussefeld, "se 10% que é investido em armamento fosse remanejado para o lado social não haveria mais fome no mundo".

Lucro para os ambulantes

Os ambulantes que vendem guarda-chuvas lucraram com a chegada do Papa. Marcos Antônio Carvalho, de 35 anos, saiu de Duque de Caxias às 5h30 da manhã e chegou às 8h em Manguinhos. "Em uma hora vendi mais de 100 capas de chuva, cada uma custa R$ 5,00". Ele acrescenta que desde terça já vendeu mais de 400 capas.

Já os artigos católicos não estão sendo bem vendidos. O vendedor Pedro Paulo Diniz, de 42 anos disse que em duas horas só vendeu cinco terços. "O povo só quer se proteger da chuva e não está gastando com artigos religiosos, os peregrinos estão meio quebrados financeiramente, contou.


Você pode gostar