Por tamyres.matos

Rio - Os dois primeiros dias da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) foram uma verdadeira prova de fé e perseverança para os milhares de peregrinos que fazem festa por onde passam na cidade. Além dos transtornos na ida para a missa de abertura, em Copacabana, na terça-feira, com pane no metrô, poucos ônibus e engarrafamentos, a volta na madrugada de ontem foi ainda mais difícil para os que estão hospedados na Zona Oeste. A espera para conseguir embarcar em uma condução chegou a cinco horas. A falta de policiamento no Centro deixou alguns fiéis com medo.

Como se isso não bastasse, a animação dos jovens teve outra provação: a espera de até quatro horas nas filas do metrô para trocar o cartão de transporte da JMJ pelo bilhete especial, que será usado para embarque hoje e amanhã.

Católicos não devem esperar conforto no Campus Fidei%2C em GuaratibaAndré Mourão / Agência O Dia

Ainda na madrugada, à 1h30, brasileiros, argentinos e italianos esperavam por ônibus na Central do Brasil e lutavam por um lugar nos poucos que circulavam do Centro para a Zona Oeste, onde a maioria estava hospedada. Uma estrangeira sofreu uma tentativa de furto. Segundo o DJ Leandro Amaral de Paula, de 19 anos, de Itu, que fazia parte de um grupo paulista com mais 27 pessoas, os poucos ônibus das linhas 397 e 398 já passavam lotados.

“Esse tipo de situação cria uma imagem ruim para o Brasil. Além de brasileiros há italianos e argentinos aqui no ponto na mesma situação. Ainda vamos sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas”, lembrou o técnico em segurança Mateus Henrique, de 18 anos, de São Paulo.

Um grupo de cerca de 40 jovens argentinos penou por cerca de cinco horas, também para ir da Central a Campo Grande. Eles acabaram acionando a paróquia onde estão hospedados e o ônibus que os trouxe da Argentina foi buscá-los. “É um absurdo deixar esses jovens estrangeiros indefesos em um lugar que sabemos que é perigoso”, desabafou Maurício Luis Paiva, motorista da linha 415 que os levou até lá. Após retornar à Central, depois de terminar o trabalho, reencontrou o grupo.

Longas filas na Estação Carioca do metrô para a troca do cartão de transporte da JMJ pelo bilhete especialBeatriz Salomão / Agência O Dia

Só faltou combinar com São Pedro

A julgar pelo estado atual do Campus Fidei, tudo leva a crer que o purgatório vai esquentar. O próprio responsável pelo projeto, Duda Magalhães, disse ontem que ir a Guaratiba, no fim de semana, não será exatamente “uma ida ao shopping”. Ou seja, é bom não esperar conforto.

Para o frio, dá-se um jeito. O problema mesmo é a chuva. Segundo o Climatempo, deve chover bastante até amanhã. Com isso, a gigantesca área do campus não estará tão convidativa para a vigília que vai entrar pela madrugada de domingo.

Afinal, bolsões de água e o barro viram lama — fazendo velhos roqueiros se lembrarem do Rock in Rio 1985. E, se o terreno ficar seco, o que é bem difícil, a poeira vai tomar conta da atmosfera — fazendo os roqueiros muito velhos se lembrarem de Woodstock, em 1969. Seja como for, será boa oportunidade para dar uma chance à paz.

Governo promete apurar com rigor e punir MetrôRio

A Secretaria Estadual de Transportes lamentou o transtorno devido à paralisação do metrô na terça-feira e determinou que a Agetransp (agência reguladora estadual) tenha o máximo de rigor na apuração e aplique a maior penalidade.

O MetrôRio informou que determinou uma perícia técnica para apurar o acidente e que constatou que o problema ocorreu por falha na estrutura de energia da nova estação Uruguai, sob responsabilidade da multinacional Siemens. A empresa, por sua vez, disse que acionou uma outra terceirizada. Sobre a demora na troca dos cartões, o MetrôRio culpou o grande número de validações em um só dia.

Ontem, houve nova falha e um trem ficou parado na Saens Peña. A RioÔnibus, associação das empresas de ônibus, informou que obteve, ontem, autorização da prefeitura para circular com 100% da frota, 24 horas por dia, até segunda.

‘Falhas não se repetirão’

O prefeito Eduardo Paes se responsabilizou ontem pelos problemas de mobilidade urbana de terça-feira, durante a Jornada Mundial da Juventude, que considerou “graves e inaceitáveis”. Porém, garantiu que os “episódios lamentáveis” não se repetirão.

Ele citou a interrupção do metrô, o engarrafamento do Papa na Presidente Vargas, a falta de integração com ônibus na estação de Coelho Neto e na Central do Brasil e a negação de motoristas a parar para pegar peregrinos na Avenida Brasil.

Sobre as justificativas dos consórcios de ônibus, que já foram notificados, Paes disse que “falhas não podem acontecer nesse momento” e que explicações podem parecer “inúteis”. O prefeito disse ainda que o metrô (concessão estadual) deveria receber “multa monstruosa”.

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