Por tamyres.matos

Rio - As limitações físicas e o preconceito social não os impediram de participar da Jornada. Acostumados a superar obstáculos, peregrinos com diversos tipos de deficiências se misturam à multidão de fiéis n celebrações no Rio. Corajosos, dizem não estar na cidade só por fé: querem também ser ‘lições de vida’.

Críticos, pedem melhorias na acessibilidade brasileira, visando os próximos megaeventos. “Nossa força de vontade tem o tamanho de Deus. Somos voluntários e ajudamos de acordo com nossas possibilidades. Contamos com a ajuda dos ‘irmãos’ e temos certeza que nossa participação inspira a todos. O objetivo é esse”, disse o peruano Francisco Villanueva, de 18 anos.

Unidos por sua fé%2C portadores de deficiência vão se apresentar durante as missas e em eventos da JornadaCarlos Moraes / Agência O Dia

Cadeirante, ele é um dos 120 peregrinos — entre deficientes de várias partes do mundo e seus acompanhantes — que estão hospedados no Instituto Brasileiro de Reeducação Motora (IBRM), no Andaraí. O local foi escolhido por reunir adaptações ideais para a hospedagem.

O grupo, que faz apresentações musicais pelo mundo e se apresentará em missas na Jornada, também tem críticas a fazer. As calçadas brasileiras, estreitas e esburacadas, são os principais alvos de reclamações de cadeirantes e deficientes visuais.

Em seguida, vêm os poucos assentos reservados nos ônibus e no metrô. “Os europeus são os que mais sentem os problemas, enquanto os sul-americanos parecem ser mais habituados a essas dificuldades”, revelou a diretora do IBRM, Étila Ramos.

EMOÇÃO DE AJUDAR MESMO DE LONGE

Robson Cardoso, coordenador de acolhimento no Parque Colúmbia, na Pavuna, não vai ver o Papa pessoalmente, mas garante que sua emoção não é pequena. A igreja que frequenta, de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, é uma das com participação no evento sem estar no roteiro do Pontífice.

Cardoso e a mulher, Marinéia, que o ajuda na coordenação, assim como diversos religiosos estarão em sintonia com a Jornada, mesmo longe dos eventos . O casal frequenta a mesma igreja há 30 anos e já desempenhou o mesmo papel na visita de João Paulo II, em 1997. O bairro da Zona Norte recebe 300 peregrinos, hospedados em casas de moradores.

Na igreja, desde a quaresma, o padre Manoel Eugênio comandou, após as missas de quinta-feira, uma hora de oração para a Jornada. “Falamos sobre a presença de peregrinos aqui no Rio”, disse o padre, que informou que eventos foram realizados para sensibilizar a comunidade para a semana.

Segundo Robson Cardoso, o objetivo era mostrar que todos servem a um mesmo Deus, sem distinção de língua ou de etnia. Sem ligar para a distância que ficará do Papa Francisco, ele e a mulher prepararam a melhor recepção para os peregrinos. “O mundo inteiro está aqui, para Deus. Esse é o barato da Jornada”, afirmou.

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