Por cadu.bruno

Rio - O técnico de laboratório Rangler dos Santos Irineu, de 24 anos, deu as boas vindas ao Papa Francisco na manhã desta quinta-feira na comunidade de Varginha, no Complexo de Manguinhos, na Zona Norte. O jovem leu um texto ao lado da esposa Joana Alves, de 23 anos. No seu discurso, Rangler disse que a chegada do pontífice levou melhorias à comunidade.

"Ele (Papa) se mostrou uma pessoa muito bondosa, com olhar acolhedor. Foi muito cativante, um presente de Deus. O Papa me disse 'muito obrigado' e nossa expectativa para isso foi muito grande", afirmou o jovem, que ficou sabendo do encontro com Francisco em maio.

Visita do Papa à favela já pode ser considerada históricaCarlos Moraes / Agência O Dia


'Sempre se pode colocar mais água no feijão', diz Papa

O Papa Francisco fez discurso na manhã desta quinta-feira na comunidade de Varginha, no Complexo de Manguinhos, na Zona Norte. O pontífice mostrou bom-humor e usou expressões tipicamente brasileiras ao falar com os moradores. Sobre um palco montado em um campo de futebol na comunidade, o Santo Padre fez até uma brincadeira com a cachaça.

"Desde o início, quando planejava minha visita ao Brasil, o meu desejo era poder visitar todos os bairros deste país. Queria bater em cada porta, dizer 'bom dia', pedir um copo de água fresca, beber um cafezinho. Não cachaça!", afirmou o Papa, sorrindo.

Papa chegou de papamóvel à comunidade de VarginhaCarlos Moraes / Agência O Dia

O pontífice também falou sobre a famosa receptividade brasileira. "Sei bem que quando alguém que precisa comer bate na sua porta, vocês sempre dão um jeito de compartilhar a comida: como diz o ditado, sempre se pode 'colocar mais água no feijão'! Se pode colocar mais água no feijão? Sempre! E vocês fazem isto com amor, mostrando que a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração", disse.

Francisco convocou os jovens a não perderem a esperança e pediu ao poder público esforço para construir um mundo mais justo. "Eu gostaria fazer uma chamada aos que têm mais recursos, aos poderes públicos e a todos os homens de boa vontade comprometidos com a justiça social: que não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário. Ninguém pode permanecer indiferente diante das desigualdades que ainda existem no mundo", pediu.

Durante o trajeto, Francisco abençoou crianças que eram levadas até ele pelos seguranças. Na chegada à favela, muitas pessoas gritavam o nome do pontífice e algumas faixas foram estendidas nas grades, contra as remoções forçadas e pedindo justiça pelos mortos nas comunidades.

Recepcionado por crianças, Francisco ganhou um colar colorido. Depois, fez uma pausa no percurso e entrou em uma capela dedicada a São Jerônimo Emiliano. "Pai abençoe esse altar que preparamos para ver seus mistérios", disse. Um morador deu ao Papa uma faixa do time argentino San Lorenzo, do qual Francisco é torcedor.

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